De ClaudioCM
Membro da CMAP e do Conselho da UICN
Caro Eric Macedo,
Grato por divulgar tema aparentemente tão sem graça, como disse o Jim Barborak, mas que gera debates intensos entre nós e é de fato importante para a conservação.
Infelizmente necessito lhe corrigir –considerando tanto minha especialidade na matéria, e participante do evento em Almeria referido pelo Jim, mas também de certa forma como representante da Comissão Mundial de Áreas Protegidas (CMAP; como membro que sou, sob a coordenação da Sônia Rigueira, vice-presidente regional para o Brasil) e da UICN (como membro do seu Conselho Mundial, junto com Nik Lapoukhine, Russ Mittermeir, Sheila Abed e outros).
Essa correção se faz necessária porque os números das categorias de áreas protegidas na classificação internacional (UICN) não representam níveis de proteção. Ao contrário, a UICN entende que o elemento principal da classificação são os objetivos das UCs. Ela afirma também que não há categoria mais importante que outra. Finalmente, o que disse o Jim foi que, justamente, uma das criticas aos números (em oposição aos nomes) podem dar a impressão que eles representam níveis de importância ou niveis de proteção, o que não é correto.
Adrian Phillips já havia expressado em “papers” que na sua visão, se interpretássemos o nível de distanciamento em relação a ambientes mais puramente naturais (se isso é possivel), não explicitamente defendido pela classificação internacional, a ordem seria I, II, III, IV, VI e V.
Jim Barborak, em sua palestra do V CBUC, confirma essa posição na sua própria perspectiva e coloca a dúvida se a categoria VI não seria inclusive mais protetiva que a IV.
Eu, particularmente, devido a meus estudos e experiência prática, creio que no final a categoria VI tende a ser mais protetiva que a V, a IV e até a III. Ou seja, só não o sendo mais que a I e a II. Isso porque a V é claramente mais voltada a proteção de ambientes com adminissão de transformação maior. Já as categorias III e IV tendem a proteger ambientes especificos (fisicos ou biologicos), ou seja, fragmentos menores dos ecossistemas, ainda que áreas eventualmente com grande importância específica –com manejo conservacionista ativo ou não–, enquanto que a VI tende a proteger ecossistemas inteiros ou grande parte deles.
De qualquer forma, sua matéria faz justiça a um dos pontos altos da palestra do Jim, que é a exortação à nossa união, entre conservacionistas, sejam/sejamos “preservacionistas” ou “parquistas”, sejam/sejamos “socio-ambientalistas” ou similares. Nos unirmos entre nós, buscando alianças para melhorar a conservação e o desenvolvimento sustentável, e nos unirmos contra os verdadeiros inimigos da conservação, que estão do outro lado.
Obrigado ao Eric e ao Jim!
Abraços,
Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar
Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.
Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.
Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.
Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.
Leia também
Agro quer prioridade em norma que veda embargo a desmatamento ilegal
CNA publica lista de propostas legislativas que entidade tem interesse em ver avançar no Congresso. Várias delas compõem o Pacote da Destruição →
Governo institui política para acolher animais resgatados
Nova legislação estabelece responsabilidades para governos e empreendedores no resgate e manejo de animais domésticos e silvestres em emergências ambientais →
((o))eco relança a Campanha de Membros para sustentar jornalismo ambiental aberto e independente
Programa amplia participação de leitores e busca sustentar produção independente sem adoção de paywall →



