Notícias

Carta – Mão estendida

De ClaudioCM Membro da CMAP e do Conselho da UICN Caro Eric Macedo, Grato por divulgar tema aparentemente tão sem graça, como disse o Jim...

Redação ((o))eco ·
25 de junho de 2007 · 19 anos atrás

De ClaudioCM
Membro da CMAP e do Conselho da UICN

Caro Eric Macedo,

Grato por divulgar tema aparentemente tão sem graça, como disse o Jim Barborak, mas que gera debates intensos entre nós e é de fato importante para a conservação.

Infelizmente necessito lhe corrigir –considerando tanto minha especialidade na matéria, e participante do evento em Almeria referido pelo Jim, mas também de certa forma como representante da Comissão Mundial de Áreas Protegidas (CMAP; como membro que sou, sob a coordenação da Sônia Rigueira, vice-presidente regional para o Brasil) e da UICN (como membro do seu Conselho Mundial, junto com Nik Lapoukhine, Russ Mittermeir, Sheila Abed e outros).

Essa correção se faz necessária porque os números das categorias de áreas protegidas na classificação internacional (UICN) não representam níveis de proteção. Ao contrário, a UICN entende que o elemento principal da classificação são os objetivos das UCs. Ela afirma também que não há categoria mais importante que outra. Finalmente, o que disse o Jim foi que, justamente, uma das criticas aos números (em oposição aos nomes) podem dar a impressão que eles representam níveis de importância ou niveis de proteção, o que não é correto.



Adrian Phillips já havia expressado em “papers” que na sua visão, se interpretássemos o nível de distanciamento em relação a ambientes mais puramente naturais (se isso é possivel), não explicitamente defendido pela classificação internacional, a ordem seria I, II, III, IV, VI e V.
Jim Barborak, em sua palestra do V CBUC, confirma essa posição na sua própria perspectiva e coloca a dúvida se a categoria VI não seria inclusive mais protetiva que a IV.

Quer receber nossa newsletter?

Fique por dentro do que está acontecendo!



Quer receber nossa newsletter?

Fique por dentro do que está acontecendo!



Eu, particularmente, devido a meus estudos e experiência prática, creio que no final a categoria VI tende a ser mais protetiva que a V, a IV e até a III. Ou seja, só não o sendo mais que a I e a II. Isso porque a V é claramente mais voltada a proteção de ambientes com adminissão de transformação maior. Já as categorias III e IV tendem a proteger ambientes especificos (fisicos ou biologicos), ou seja, fragmentos menores dos ecossistemas, ainda que áreas eventualmente com grande importância específica –com manejo conservacionista ativo ou não–, enquanto que a VI tende a proteger ecossistemas inteiros ou grande parte deles.

De qualquer forma, sua matéria faz justiça a um dos pontos altos da palestra do Jim, que é a exortação à nossa união, entre conservacionistas, sejam/sejamos “preservacionistas” ou “parquistas”, sejam/sejamos “socio-ambientalistas” ou similares. Nos unirmos entre nós, buscando alianças para melhorar a conservação e o desenvolvimento sustentável, e nos unirmos contra os verdadeiros inimigos da conservação, que estão do outro lado.

Obrigado ao Eric e ao Jim!

Abraços,

Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar

Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.

Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.

Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.

Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.

Leia também

Análises
21 de agosto de 2026

O século XXI começou no subsolo

O Brasil pode repetir o velho modelo de exportar recursos naturais ou transformar sua riqueza mineral e biológica em conhecimento, tecnologia e soberania

Notícias
21 de agosto de 2026

Projeto em Alta Floresta expande pontes artificiais que zeraram atropelamento de primatas

A instalação de oito novas estruturas de passagem de fauna no município reforça a bem-sucedida estratégia de conservação local para macacos amazônicos ameaçados

Salada Verde
21 de agosto de 2026

Ibase aponta desafios da urbanização de favelas do Rio diante da crise climática

Levantamento com 10 mil moradores identifica problemas de arborização, drenagem, saneamento e manutenção em 18 favelas da capital do estado

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.