Na semana passada, o Rio de Janeiro foi palco da primeira reunião da Força-Tarefa de Especialistas sobre REDD (sigla em inglês para Redução de Emissões para o Desmatamento e Degradação) e Mudanças Climáticas. O grupo, instituído pelo Fórum de Governadores da Amazônia, foi formalizado no último dia 30 de julho pelo presidente Lula com o objetivo de forçar mudanças no posicionamento de Brasília no âmbito das discussões organizadas pela Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC).
“A conclusão do grupo é que precisamos ter uma combinação de instrumentos de governo e de mercado para financiar REDD. O Brasil sempre se opôs a esta segunda ideia com compensações, porque não deseja que os países do Anexo I (desenvolvidos e com responsabilidades no Protocolo de Quioto) tenham uma saída “barata” para suas obrigações de reduções de emissões. O discurso oficial é que eles deveriam desenvolver um esforço interno para isso”, diz Virgílio Viana, coordenador da Força-Tarefa e diretor geral da Fundação Amazonas Sustentável (FAS).
Segundo Viana, caso a proposta seja aceita no Planalto, será como o início de uma revolução. Isso porque, no último ano, o mercado de carbono florestal movimentou 120 bilhões de dólares no planeta. O Brasil, no entanto, recebeu apenas 3% desta fatia, enquanto a China abocanhou 84%. “Dizemos que, sem o REDD, não será viável pedir às nações desenvolvidas que aumentem as metas de redução do lançamento de carbono na atmosfera. Elas só aceitarão caso seja uma alternativa economicamente palatável”, explica. Pagar para que países menos afortunados mantenham suas florestas de pé é, no mínimo, menos custoso.
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