Sempre me causam espanto os números do setor automobilístico brasileiro. Desde que o governo decidiu reduzir o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) na compra de veículos novos, há mais de um ano – e que acabou no final de março, finalmente – as notícias sobre recordes históricos de venda se repetem quase que todos os meses. Além de contribuírem para a existência de congestionamentos intermináveis, tantos carros novos rodando nas ruas, ainda que mais eficientes, também são péssimos para a qualidade do ar.
Isso tudo já falamos várias vezes no Ecocidades. Mas outro problema ambiental desses “recordes” me chamou a atenção: as toneladas de pneus usados que provavelmente vão se acumular em algum lixão das cidades daqui a alguns anos.
Só no ano passado foram emplacadas 4.843.030 unidades (entre automóveis, comerciais leves, caminhões, motos, implementos rodoviários e outros meios de transporte). Se consideramos, numa conta hipotética, que cada veículo tenha apenas quatro rodas, que um pneu deve ser trocado a cada 10 mil quilômetros e que a média de quilometragem dos carros brasileiros é de 20 mil quilômetros/ano, teremos em apenas seis meses uma montanha de 19,372 milhões de pneus descartados no país. Para 2010, a previsão é que sejam vendidos 5,226 milhões de unidades.
Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a indústria brasileira de pneus produziu, em 2009, o total de 61,3 milhões de unidades. Destes ,14,5 milhões são destinados à exportação, de acordo com a Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (Anip). Quer dizer, 46,8 milhões de pneus são usados aqui mesmo, no Brasil. Ao menos a importação de pneus usados está proibida, desde 24 de julho de 2009, por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).
O Brasil ainda estuda a possibilidade de tornar obrigatória a logística reversa, na qual o fabricante é responsável pela destinação final de seu produto, prevista no novo texto da Política Nacional de Resíduos Sólidos, parada no Congresso. O que existe é uma Resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), que determina que, para cada pneu de reposição vendido – para aqueles 4,843 milhões de automóveis e os outros que rodam no país – um deve ser recolhido da natureza. (Cristiane Prizibisczki)
Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar
Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.
Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.
Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.
Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.
Leia também
Projeto que barra fiscalização ambiental remota ganha urgência na Câmara
Associação de servidores emite nota expressando preocupação. Ibama tem apenas 752 agentes para atender universo de mais de 100 mil alertas por ano →
Talvez o sertão não vire mar, mas o litoral brasileiro já está virando
Quando a vegetação costeira desaparece e a urbanização avança até a linha da praia, não é apenas o ecossistema que se fragiliza →
Fiscais do Ibama sofrem emboscada durante operação contra madeira ilegal no Amazonas
Servidores foram atacados e tiveram o veículo incendiado durante operação na Terra Indígena Tenharim-Marmelos, em Manicoré →


