A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) aprovou ontem (4) a proposta de um Projeto de Lei do Senado que cria o Fundo Nacional de Reutilização da Água (Funreágua). O dinheiro do Fundo poderá ser utilizado para incentivar a compra e instalação de sistemas de reaproveitamento de água em casas, prédios comerciais, industriais e públicos. Pela proposta aprovada pelo CAE, ele deverá ser composto com recursos do Orçamento da União, além de doações de pessoas físicas, entidades públicas e privadas e aplicações financeiras.
Atualmente, a ausência de regulamentação federal e falta de conhecimento sobre tecnologias existentes representam entraves para o setor. Em termos de legislação, há apenas uma resolução do Conselho Nacional de Recursos Hídricos (CNRH), de 2006, que estabelece modalidades, diretrizes e critérios gerais para a prática do reuso não potável do recurso – usada para rega de jardins e lavagem de calçadas, por exemplo. O reuso potável não é aplicado no país.
Apesar desta norma existir, ela ainda não foi regulamentada. Isso ainda não aconteceu porque, por se tratar de um assunto que envolve meio ambiente e gestão de recursos hídricos, os padrões de qualidade a serem adotados devem sair de um consenso entre técnicos do CNRH e do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). Até hoje os órgãos não chegaram a um consenso. Com isso, as empresas ficam temerosas em investir no desenvolvimento do setor, impedindo o barateamento de custos.
A implantação de sistemas de reuso de águas cinzas e negras – aquelas que saem do vaso sanitário e de lavatórios – é viável somente para o setor industrial. Para os cidadãos comuns que desejam economizar no uso do recurso e contribuir para o meio ambiente, a opção são sistemas de reuso de água da chuva. Um sistema desses ainda não sai por menos de R$ 5 mil. (Cristiane Prizibisczki)
Leia também
Perigos explícitos e dissimulados da má política ambiental do Brasil
pressões corporativas frequentemente distorcem processos democráticos, transformando interesses privados em decisões públicas formalmente legitimadas →
Transparência falha: 40% dos dados ambientais não estavam acessíveis em 2025
Das informações ambientais disponibilizadas, 38% estavam em formato inadequado e 62% desatualizadas, mostra estudo do Observatório do Código Florestal e ICV →
O Carnaval é termômetro para medir nossos avanços no enfrentamento da crise climática
Os impactos da crise climática já são um problema do presente. Medidas políticas eficazes de prevenção aos eventos climáticos extremos não podem ser improvisadas às vésperas das festividades →





