Notícias

Filhotes de pato-mergulhão nascem em cativeiro

Instituto de Poços de Caldas (MG) espera que sucesso permita aumentar números da espécie, considerado em perigo crítico de extinção.  

Vandré Fonseca ·
29 de setembro de 2011 · 11 anos atrás
Dois filhotes sobrevivem em cativeiro e devem servir de matrizes para nascimento de mais patos-mergulhões. Foto: Letícia de Carvalho Dias
Dois filhotes sobrevivem em cativeiro e devem servir de matrizes para nascimento de mais patos-mergulhões. Foto: Letícia de Carvalho Dias
Uma esperança para o futuro do pato-mergulhão surgiu há cerca de dois meses no Instituto Ave é Vida, em Poços de Caldas (MG) quando, pela primeira vez no mundo, nasceram filhotes da espécie em cativeiro. Cinco ovos haviam sido coletados em ninhos da Serra da Canastra, entre os dias 3 e 4 de agosto. Dois não deram em nada. Os três restantes geraram um patinho cada. Mas, desses três filhotes, um morreu nos primeiros dias, mostrando o quão difícil foi ter sucesso na empreitada. Agora eles crescem sob cuidados especiais. Durante o dia, ficam em uma área aberta, onde se alimentam de ração e, periodicamente, de alevinos — filhotes de peixe. À noite são recolhidos para um abrigo.

Nas instalações do Ave É Vida (IAV), esses filhotes servirão como matrizes para a reprodução da espécie, o pato-mergulhão, cujo nome científico é Mergus octosetaceus. No ano que vem, novos ovos deverão ser levados até o instituto para a realização de cruzamentos em cativeiro. “Eles serão a ferramenta para, em 3 anos, gerar mais filhotes. E aí, os filhotes que nascerem serão preparados para voltar a natureza”, explica a veterinária Letícia de Carvalho Dias, gerente-administrativa do Instituto Ave é Vida.

O pato-mergulhão é classificado como em Perigo Crítico de Extinção na Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN, em inglês). Acredita-se que existam apenas cerca de 250 indivíduos na natureza. Repare, não se deve confundi-los com os mergulhões ou biguás, que são pássaros bem diferentes.

Foto: Letícia de Carvalho Dias
Foto: Letícia de Carvalho Dias
Esta é a segunda tentativa de chocar ovos em cativeiro. Na primeira, em 2009, os filhotes não nasceram. Agora, os ovos recolhidos da Serra da Serra da Canastra foram levados até o IAV aquecidos. “Nós conseguimos uma chocadeira portátil, ligada ao acendedor do carro. E a usamos no transporte, para que os ovos não perdessem temperatura”, conta Letícia.

Segundo ela, a retirada destes ovos da natureza ajudará a sobrevivência do pato-mergulhão. Um dos ninhos em observação continha cinco ovos. Pouco tempo depois, não havia sobrado nenhum devido à ação de predadores. “Se estes ovos ficam lá agora vão ser predados. É uma visão de longo prazo, esperamos gerar mais indivíduos”, diz a veterinária.

O Instituto Ave é Vida é uma organização sem fins lucrativos. O instituto mantém mais de 4 mil aves, de mais de 320 espécies diferentes do mundo inteiro. O projeto do pato-mergulhão é coordenado pelo professor Luís Fábio Silveira da Universidade de São Paulo (USP) e envolveu, além do Instituto Ave É Vida, a participação do IBAMA, ICMBio e Instituto Terra Brasilis.


Leia também

Reportagens
17 de agosto de 2022

Indústria madeireira concentra exploração em apenas 2% das espécies disponíveis na Amazônia

O Brasil comercializou 998 tipos diferentes de madeira provenientes da Amazônia entre 2007 a 2020, mas, apesar desta abundância, a indústria madeireira no país está concentrada na exploração ao esgotamento de apenas 15 a 20 espécies (2%). Isso é o que mostra a mais recente edição do Boletim Timberflow, estudo sobre a cadeia da madeira

Salada Verde
16 de agosto de 2022

Brasil volta às urnas sem a opção de “candidatura verde” em 2022

A lacuna de candidaturas ligadas às propostas ambientais ocorre mesmo com a pauta do meio ambiente sendo uma das mais debatidas pela sociedade

Notícias
16 de agosto de 2022

Alvo de imbróglio jurídico, Parque Cristalino II perde quase 900 hectares em queimada ilegal

Ainda não é possível dizer se incêndio foi intencional, mas organizações alertam para “coincidência” entre fato e decisão da justiça pela extinção da unidade

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta