Notícias

Expedição Criosfera: As vestimentas contra o frio

O frio obriga o uso de 3 a 5 camadas de vestimentas. Nos dias de frio extremo (abaixo de -30°C) é a hora da quinta camada para aquecimento.

Jefferson Simões ·
19 de janeiro de 2012 · 15 anos atrás
Kit de roupas usado pelos cientistas durante a Expedição Criosfera. Crédito: Flávia Moraes
Kit de roupas usado pelos cientistas durante a Expedição Criosfera. Crédito: Flávia Moraes
Um segundo mito existente sobre a exploração polar são as roupas usadas por nós. Roupas térmicas não tem fonte artificial para gerar energia (o que seria muito pesado). O que usamos são várias camadas (de 3 a 5) de roupas com propriedades diferenciadas e que retém o calor gerado pelo próprio corpo, ao mesmo tempo que perdem a umidade gerada pela transpiração. Assim, usamos: (1) Roupas de baixo leves e material artificial; (2) Uma segunda camada para isolar e aquecer o corpo; (3) Uma terceira camada grossa para também aquecer; (4) Um corta-vento (uso quase constante) ou uma parka de pluma para os dias mais frios. Nos dias de frio extremo (abaixo de -30°C) temos que usar uma quinta camada para aquecimento.

O mais importante: todas as camadas são de fibras artificiais (pro exemplo: nylon, poliéster), feitas muitas vezes de material reciclado (como de garrafas PET) e a camada externa feita de Gore-tex ou fibra similar (que permite passar a transpiração para fora, mas não deixar o vento entrar). O mesmo princípio é seguido para botas (duas, ou mesmo três pares de meias) e luvas (3 pares, ou até 4 se usarmos motos de neve).

Mesmo hoje, a dificuldade maior é evitar ao máximo a transpiração, principalmente se temos que fazer alguma atividade física. Uma das maneiras mais fáceis de cair em hipotermia é suar devido a um hiperaquecimento, pois logo depois nossas roupas molhadas congelam. Terrível sensação de frio! Assim, constantemente temos que administrar o número de camadas de roupas e a intensidade de nosso esforço. Evidentemente, qualquer atividade executada fora das barracas é muito mais lenta do que em um ambiente mais quente no Brasil.

O princípio das camadas até hoje não foi aprendido pelos gaúchos, que insistem em usar uma ou duas camadas grossas (geralmente de lã ou malha que retém facilmente a umidade e deixam passar o vento) no nosso inverno.


Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar

Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.

Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.

Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.

Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.

Leia também

Salada Verde
30 de outubro de 2026

Brasil tem mais de 3,7 mil plantas ameaçadas de extinção

Lista atualizada pelo Ministério do Meio Ambiente alerta para aumento do grau de ameaça do pau-brasil e para possível extinção de duas plantas da Mata Atlântica →

Análises
30 de outubro de 2026

Proteger a biodiversidade exige conectar territórios

Brasil levou a COP 17 da Biodiversidade proposta que reforça necessidade de investir em corredores de biodiversidade e redes ecológicas que não se limitem às áreas protegidas →

Salada Verde
30 de outubro de 2026

MMA abre inscrições para sete vagas da sociedade civil na Comissão Nacional de Biodiversidade

Organizações ambientalistas podem se inscrever até 8 de novembro para participar da eleição de representantes no colegiado durante o biênio 2027–2028 →

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.