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Área verde se transforma em Centro de Treinamento para motociclistas em Manaus

Obras da Moto Honda causam descontentamento em moradores locais. Secretaria do Meio Ambiente afirma que "não há nada errado" com o desmatamento causado pela empresa japonesa.

Vandré Fonseca ·
24 de abril de 2012 · 14 anos atrás

 

Imagem retrata o "antes e depois" do desmatamento causado pela empresa. (Crédito: Kika Gouvea)
Imagem retrata o "antes e depois" do desmatamento causado pela empresa. (Crédito: Kika Gouvea)

As manhãs da artística plástica Kika Gouvea já não são as mesmas de algum tempo atrás. No loteamento Cachoeira Grande, na Colônia dos Japoneses, um bucólico bairro residencial de Manaus, onde ela vive, está sendo construído um Centro de Treinamento para motociclistas, pela Moto Honda. Com as obras, cantos de pássaros deram lugar ao barulho de tratores e motosserras, e os moradores temem que a tranquilidade que eles haviam encontrado seja definitivamente perdida.

A área é vizinha ao Corredor Ecológico do Mindu, que reúne parques públicos e terrenos particulares ao longo do igarapé para tentar protegê-lo. O terreno fica ao lado de uma Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN), criada pela própria fabricante de motos em 2006, uma contribuição da empresa ao Corredor Ecológico.

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O começo da história foi contata aqui em (oo)) eco Amazônia, em junho do ano passado, quando a obra chegou a ser embargada pelo Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), órgão estadual que tinha dúvidas sobre o licenciamento dado pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente. No entanto, semana passada, quando Kika Gouvea chegou de viagem, novamente encontrou o irritante barulho de motores. “Eles cercaram o terreno com tapumes e as máquinas estão trabalhando lá”, conta a artista plástica.

A Associação dos Moradores da Cachoeira Grande afirma que a obra é irregular porque contraria a Lei Orgânica do Município. Cartas foram enviadas ao Ministério Público do Estado e ao Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb). No dia 18 de março, representantes dos moradores foram recebidos na Moto Honda em Manaus para uma conversa que ainda não teve resultado. “Até hoje não tivemos retorno”, lamenta Kika.

Para a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas), não há nada de errado com a obra. Em nota, a secretaria afirma que o empreendimento foi construído em um terreno da empresa, a distância de 5 metros (onde foi mantida a floresta intacta) da RPPN. A nota afirma também que a obra foi devidamente licenciada e cumpriu as compensações ambientais exigidas. E nega que o Centro será usado para atividades que possam causar poluição sonora, ou seja, não será uma pista de motocross como temem os moradores.

A Moto Honda também se manifestou: “Jamais iríamos desmatar um projeto que nos mesmos implantamos (a RPPN) com muito respeito ao meio ambiente que são as nossas diretrizes”, afirma a nota enviada a ((o)) eco. “O Centro de Treinamento esta sendo construído dentro das especificações ambientais, atendendo todas as normas vigentes no país. O CTH tem por objetivo qualificar condutores de motocicletas e assim contribuir para a diminuição do índice de mortalidade por acidentes. O CTH vai desenvolver parceria com o Detran-Am para qualificar condutores através de cursos de direção defensiva”, descreve o texto.

Os moradores do loteamento concordam com a importância do Centro, só não querem que ele seja construído ali. Questionam, ainda, os critérios da prefeitura para autorizar obras como essa. A bióloga Márcia Lederman, também moradora da Cachoeira Grande, teve acesso ao Termo de Compromisso da empresa com a prefeitura para obter a licença e à autorização para desmatar 3,7 hectares de mata. Segundo ela, como condicionante, a marca japonesa doou equipamentos para a prefeitura, computadores, máquinas fotográficas e no-breaks. E para cada árvore derrubada, deve plantar oito mudas.“As áreas verdes estão sumindo, as ruas são horríveis, nenhuma arvore é plantada ou cuidada e todos acham que podem viver desta maneira. Criar uma cidade interessante para se viver deveria ser a preocupação dos dirigentes”, afirma Márcia Lederman.

 

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