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Projeto visa valorização de catadores de material reciclável

Grafiteiro organiza financiamento coletivo para recuperar carroças, incentivar reciclagem e ajudar a tirar agentes ambientais urbanos da invisibilidade

Redação ((o))eco ·
30 de abril de 2012 · 14 anos atrás

Falta menos de uma semana para a proposta de financiamento coletivo do projeto Pimp My Carroça, organizada no Catarse pelo grafiteiro Mundano, ser concluída. Se ele não conseguir alcançar a meta estabelecida de R$ 38,2 mil, não recebe um tostão das doações que foram feitas e terá que procurar outra fonte de financiamento. Ou cancelar a iniciativa, que tem como base a premissa de que é necessário reconhecer a importância do trabalho dos catadores de material reciclável e tirá-los da invisibilidade. O vídeo abaixo resume bem a proposta do Mundano. 

Não é o primeiro projeto de financiamento coletivo divulgado pelo Outras Vias, mas talvez seja o que mais tem a ver com a proposta do blog e do portal ((o)) eco, que é de abrir espaço para o debate sobre trânsito, transportes e deslocamentos dentro de uma perspectiva de busca por equilíbrio ambiental e social. A iniciativa apresentada no Catarse é a consolidação de um trabalho artístico e social que vem sendo desenvolvido pelo grafiteiro há anos. Com regularidade, o Mundano vem pintando carroças nas ruas de São Paulo e outras capitais do Brasil e da América Latina, sempre chamando a atenção para os contrastes brutais de sociedades em que carros grandes que consomem combustível e poluem o ar que todos respiram são valorizados e glamourizados, enquanto trabalhadores que se preocupam em revirar o lixo em busca de material a ser reaproveitado são tratados com desprezo.

Veja imagens de carroças já pintadas pelo artista

Em São Paulo, a situação é extrema. Desde pelo menos 2007 o número de lixeiras com trancas não para de crescer na cidade. Em vez de buscar fórmulas para reaproveitar e reciclar lixo que ainda têm valor, a população busca métodos para evitar que os catadores tentem encontrar materiais aproveitáveis. Com o argumento de que quem cata papelão, latas, jornal ou plástico normalmente deixa um rastro de sujeira atrás, os paulistanos mais ricos e, em tese, mais esclarecidos, começaram a trancar o próprio lixo. Isso, investimento em segurança para garantir que ninguém rasgue o plástico que protege a sujeira produzida, que provavelmente ficará enterrado por décadas,  séculos.

E assim que são alimentada as montanhas formadas por lixo embalado, um colapso ambiental que se desenha desde 2007, quando eram coletadas 13 mil toneladas de lixo da cidade por dia. Hoje, segundo dados apresentados no vídeo, são 17 mil toneladas de materiais recolhidos por dia, dos quais apenas 1% são reciclados.

Mundano vai na contramão do senso comum e, com bom humor e uma crítica por vezes ácida, aponta e explicita tais contradições. Com talento e desenhos que lembram talvez o modernismo, com figuras grandes, disformes e verdes, ele tenta criar fórmulas mais concretas e sólidas para a valorização estes verdadeiros agentes ambientais que perambulam marginalizados não só em São Paulo, mas nas demais capitais do Brasil. E retoma a ideia de que a arte tem sim papel político, deve perturbar, provocar reflexão, fazer pensar.

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