Notícias

Museu Goeldi inova com Censo da Biodiversidade Amazônica

Centro de pesquisa paraense lança censo com objetivo ambicioso de catalogar toda a riqueza biológica já descoberta na região amazônica.

Nanda Melonio ·
21 de maio de 2012 · 10 anos atrás
Sobralia imavieirae, espécie de orquídea inventariada no Censo da Biodiversidade por pesquisadores do Museu Goeldi. Foto: André Cardoso / Divulgação MPEG.

O Museu Paraense Emílio Goeldi lançou na última sexta-feira (18), em Belém (PA), o Projeto Censo da Biodiversidade durante mesa redonda que discutiu a biodiversidade amazônica no contexto da Rio+20. Até agora, o Censo da Biodiversidade inventariou todas as 3,8 mil espécies pesquisadas pelo Museu Goeldi, com dados importantes como a categoria de espécies ameaçadas de extinção. No período de sua elaboração, de 2000 a 2011, foram descobertas 130 novas espécies, sendo 48 plantas (5 briófitas e 43 angiospermas), 1 fungo e 81 animais que vivem em diferentes regiões da Amazônia brasileira e demais países. Estima-se que pelo menos uma em cada 10 espécies do mundo vive na Amazônia.

O evento, que contou com a presença de Ulisses Galatti (ecólogo e coordenador de Pesquisa e Pós-Graduação do Museu Goeldi), Peter Mann de Toledo (paleontólogo e pesquisador do INPE) e Alex Fiúza de Mello (cientista social, secretário de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação e ex-reitor da Universidade Federal do Pará), debateu soluções para frear a perda de biodiversidade na região. Um dos pontos ressaltados pelos especialistas foi a necessidade da  economia verde ser uma economia do conhecimento, onde o manejo de recursos e a inovação tecnológica devem estar aliadas à economia florestal.

“Queremos atualizar o conhecimento para poder, por meio dos dados, planejar a conservação biológica e o uso da biodiversidade. A intenção é seguir no mesmo sentido do censo do IBGE, que levanta informações sobre a sociedade, usadas pelos governos para planejar políticas públicas”, afirmou Ulisses Galatti. Tal e qual o censo demográfico do IBGE, pretende-se que o Censo da Biodiversidade seja atualizado anualmente, de forma a agregar informações sobre antigas e novas espécies. O pesquisador espera que o levantamento também inclua dados de outras instituições até o fim de 2012. “Para frear a perda de biodiversidade, há a necessidade de uma economia florestal com manejo de recursos e inovação tecnológica”, afirmou. Para tanto, o Censo é uma ferramenta, pois ao obter informações sobre as milhares de espécies existentes na Amazônia, os pesquisadores podem definir estratégias de conservação para a região.

Durante o evento, também foi apresentado o prospecto “Espécies do Milênio – Fauna e Flora da Amazônia”. Além de inventariar as 130 novas espécies descritas pelos pesquisadores do Museu Goeldi, a publicação traz imagens de algumas destas espécies e informações para o público em geral sobre a importância de descrever a biodiversidade amazônica.

O Museu Goeldi, cujo acervo biológico é mantido desde o final do século XIX, é um centro de referência na área.

Leia também

Reportagens
27 de maio de 2022

Um caminho (e um sonho) para unir a América

A construção de uma trilha pan-americana que conecte caminhos do Alasca à Patagônia parece um sonho distante, mas já há sonhadores dispostos a montar esse quebra-cabeça

Notícias
27 de maio de 2022

São Paulo registra duas décadas de poluição do ar acima do recomendado pela OMS

Em alguns pontos da cidade, concentração de poluentes foi quatro vezes maior do que o indicado, mostra estudo. Poluição mata 7 milhões de pessoas por ano no mundo

Notícias
26 de maio de 2022

Conexão de trilhas e pessoas embala 1º Congresso Brasileiro de Trilhas

Evento que começou nesta quarta (25) e se estende até domingo, em Goiânia, conta com mais de 1.500 inscritos para discutir e fomentar a implementação de trilhas no Brasil

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta