Salada Verde

Pesquisa no Sul da Bahia mapeia presença do macaco guigó

IPÊ coleta registros do primata com auxílio da população para fundamentar estratégias de conservação na região; Saiba como participar

Mirella Casanova ·
28 de abril de 2026
Salada Verde
Sua porção fresquinha de informações sobre o meio ambiente

Moradores e turistas do Sul da Bahia têm até o dia 17 de maio para participar de uma ação de Ciência Cidadã voltada à conservação do macaco guigó (Callicebus melanochir), espécie ameaçada de extinção. O IPÊ (Instituto de Pesquisas Ecológicas) lançou o Projeto Guigó com o objetivo de mapear a presença do animal na região, convidando o público a compartilhar avistamentos ou registros sonoros por meio de um formulário online, disponível aqui. A iniciativa busca transformar o conhecimento da população em dados científicos para fundamentar futuras estratégias de preservação.

Atualmente classificado como “Vulnerável” pela União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN), o macaco guigó ocorre do Sul da Bahia ao Espírito Santo e tem sido visto com frequência em corredores de mata urbanos, o que alerta para a pressão sobre seu habitat natural. De acordo com a coordenadora Maria Otávia Crepaldi, a falta de informações sobre a espécie é uma preocupação central, tornando urgente o mapeamento de seu comportamento, alimentação e deslocamento.

Quer receber nossa newsletter?

Fique por dentro do que está acontecendo!



Quer receber nossa newsletter?

Fique por dentro do que está acontecendo!



“A expectativa é conseguirmos, a partir das respostas, identificar as percepções, conhecimentos e possíveis avistamentos da espécie”, diz a coordenadora.

O IPÊ utiliza neste projeto a experiência acumulada em mais de 40 anos de conservação de primatas, como o mico-leão-preto, que recentemente teve seu status de ameaça melhorado. No Sul da Bahia, o instituto também integra a pesquisa à educação e ao desenvolvimento regional por meio da ESCAS (Escola Superior de Conservação Ambiental e Sustentabilidade) e de parcerias internacionais, como a realizada com a Universidade de Yale.

Além do monitoramento direto da fauna, o trabalho na região é reforçado pelo Projeto Prospera, que atua na restauração ecológica e recuperação produtiva em cidades como Prado, Porto Seguro e Itamaraju. Ao apoiar produtores rurais no planejamento do uso da terra e na regeneração ambiental do Corredor Central da Mata Atlântica, o instituto busca garantir tanto a viabilidade econômica das propriedades quanto a sobrevivência do guigó e de outras espécies nativas para as futuras gerações.

  • Mirella Casanova

    Estudante de Jornalismo na ESPM-Rio. Possui interesse em jornalismo ambiental, com foco em sustentabilidade e clima, além de pautas culturais e sociais.

Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar

Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.

Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.

Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.

Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.

Leia também

Reportagens
12 de setembro de 2024

Um drama sertanejo: destruição da Caatinga encurrala macaco ameaçado

Avanço dos pastos sobre as florestas no bioma isola cada vez mais os guigós-da-caatinga, que seguem desprotegidos e com futuro incerto

Reportagens
8 de maio de 2025

Os dois macacos brasileiros entre os mais ameaçados do mundo

Lista das 25 espécies de primatas mais ameaçadas do mundo soa o alerta sobre a situação do sauim-de-coleira e do guigó-da-caatinga, e a urgência de ações de conservação

Notícias
27 de outubro de 2025

A Caatinga virou pasto: macaco ameaçado já perdeu mais da metade de suas florestas

Estudo mostra que avanço do pasto e agricultura no bioma já reduziu em 54% a quantidade de florestas disponíveis para sobrevivência do guigó-da-caatinga

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.