
Este espaço de tempo entre a destruição do habitat e os efeitos que provoca no conjunto da fauna que ali vive é chamado pelos cientistas de “débito de extinção”. Os pesquisadores britânicos Oliver Wearn, Daniel Reuman e Robert Ewers traçaram cenários para saber o quanto este débito vai aumentar, ou diminuir, até 2050. Na perspectiva mais pessimista, há locais em que chega a 55 o número de espécies que pode desaparecer: 15 de mamíferos, 30 de pássaros e 10 de anfíbios.
Para o ecólogo brasileiro Thiago Fernando Rangel, da Universidade Federal de Goiás, é melhor saber tomar agora conhecimento deste débito. Isto oferece a chance de reverter a tendência de extinção localizada de espécies. “Podemos dar um calote neste débito”, afirma. “Quando sabemos quantas espécies vão desaparecer no futuro, podemos tomar medidas para evitar ou mitigar isso”.
Rangel foi convidado pela Science, que pertence à Associação Americana para o Avanço da Ciência (AAS), para escrever um artigo complementar ao estudo dos britânicos. Os dois artigos foram publicados na mesma edição.
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“Se você considera que existem 22 hidrelétricas de larga escala planejadas para a região, sérias intenções de reduzir as APPs (áreas de proteção permanente) e um Congresso inclinado a mudar e reduzir unidades de conservação, fica difícil continuar a reduzir o desmatamento”
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Boas políticas poderiam reverter previsão
Ele explica que esse primeiro trabalho não indica quais, nem quando, serão os animais serão afetados. Além disso, a pesquisa aponta o desaparecimento localizado de espécies, em uma área limitada, e não em toda a Amazônia. “A espécie que desaparece em um local, pode continuar a existir em outro”, diz Rangel.
Para realizar o estudo, os autores partiram do princípio de que quanto maior a área, maior a variedade de espécies encontradas. “O aumento do número de espécies em função do aumento da área é previsível. Os autores inverteram o raciocínio”, conta Rangel. Eles usaram um modelo que avalia a relação entre a redução da área de floresta e o declínio na variedade de espécies. Através de dados do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), calcularam qual seria o débito de extinção para polígonos 50 Km X 50 Km, em diferentes cenários de desmatamento.
Em seu artigo, Rangel conclui que em um cenário otimista a tendência do débito de extinção na Amazônia é se estabilizar antes de 2050. Mas este é um cenário que considera obediência às leis ambientais, fiscalização e ações de educação ambiental. Ou seja, se todos os problemas forem resolvidos.
O ecólogo adverte: o momento político é complicado. “Se você considera que existem 22 hidrelétricas de larga escala planejadas para a região, sérias intenções de reduzir as APPs (áreas de proteção permanente) e um Congresso inclinado a mudar e reduzir unidades de conservação, fica difícil continuar a reduzir o desmatamento”. Nesse caso, nosso débito de extinção vai crescer.
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Leia os artigos originais:
“Extinction Debt and Windows of Conservation Opportunity in the Brazilian Amazon,” by O.R. Wearn; D.C. Reuman; R.M. Ewers at Imperial College London in Ascot, UK; O.R. Wearn at Zoological Society of London in London, UK; D.C. Reuman at Rockefeller University in New York, NY.
“Amazonian Extinction Debts,” by T.F. Rangel at Federal University of Goiás in Goiânia, Brazil.
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