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Neste domingo começa o CBUC e ((o))eco estará lá

Em Natal (RN), começa a 7ª edição do Congresso Brasileiro de Unidades de Conservação (CBUC), reunindo especialistas e gestores de áreas protegidas

Fabíola Ortiz ·
23 de setembro de 2012 · 12 anos atrás

A partir deste domingo, 23, ((o))eco desembarca em Natal para acompanhar o VII Congresso Brasileiro de Unidades de Conservação (CBUC). Criado em 1997 pela Fundação Grupo Boticário, o CBUC segue para a sua sétima edição e já se consolidou como evento marcante na discussão de questões que envolvem áreas protegidas, gestão e desenvolvimento das unidades de conservação.

Nossos leitores podem esperar reportagens, assistir vídeos e podcasts com entrevistas, além de acompanhar no Twitter a cobertura in loco dos repórteres de ((o))eco. As atividades acontecerão no centro de convenções da capital do Rio Grande do Norte.

O tema do evento será Áreas protegidas: um oceano de riquezas e biodiversidade, e ele reunirá, ao longo dos seus cinco dias, cerca de 1.000 participantes para assistir e debater mais de 50 palestras. “O diferencial do congresso é que sempre fazemos uma abordagem transversal às áreas protegidas para ampliar o debate. O destaque deste ano será a conservação de áreas marinhas. No mar, a gente tem muito menos informação e menos inventários de biodiversidade”, disse a ((o))eco Malu Nunes, diretora executiva da Fundação Grupo Boticário e coordenadora geral do VII CBUC.

Segundo Nunes, a preocupação “é que as questões discutidas sejam postas em prática. Levamos pesquisadores, acadêmicos que vão apresentar dados científicos concretos, mas também representantes do Ministério do Meio Ambiente, gestores estaduais e municipais que podem trazer soluções”.

Biodiversidade, mudanças climáticas e pré-sal entre os temas

Para cada dia do congresso, um tema específico permeará as mesas, seminários e painéis. Na segunda-feira, 24, o tema será biodiversidade e desenvolvimento econômico e contará com a presença de pesquisadores como Carlos Eduardo Young, do Grupo de Economia do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); assim como a representante do Kenya Wildlife Service, a queniana Munira Anyonge Bashir, que falará sobre a experiência de seu país. Stephen Mangi, do Laboratório Marinho de Plymouth, no Reino Unido, discutirá ferramentas para manejo de pesca e os benefícios econômicos das áreas protegidas marinhas.

Na terça-feira, 25, a relação entre as mudanças climáticas globais e a diversidade biológica norteará as discussões do dia. O biólogo Paulo Antunes Horta Junior, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) falará sobre o aquecimento global e as consequências das mudanças das correntes marítimas sobre a biodiversidade marinha.

Já o fundador da ONG americana Skytruth, John Amos, abordará os impactos ao meio ambiente a partir da exploração de petróleo no pré-sal brasileiro e águas profundas, além de recentes incidentes internacionais. Amos chamará atenção para os riscos de derramamento de óleo em plataformas marítimas. Foi a Skytruth quem alertou as autoridades brasileiras sobre o vazamento de óleo na plataforma da Chevron no campo de Frade, na bacia de Campos, em novembro de 2011 na costa brasileira.

Modelos de gestão de áreas protegidas

O quarto dia de congresso terá mesas voltadas para discutir as estratégias e modelos de gestão de áreas protegidas. Robert Williams da Sociedade Zoológica de Francfort, no Peru, vai expor o exemplo peruano, e Roberto Ricardo Vizentin, presidente do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, falará sobre a gestão brasileira. Já James Barborak, pesquisador da Universidade do Estado de Colorado, se concentrará nos modelos internacionais.

A quarta-feira terá ainda na programação o painel do ecologista indiano Sarat Babu Gidda, que há mais de 25 anos atua em conservação da biodiversidade e manejo de recursos naturais, para falar sobre a Convenção das Nações Unidas sobre a Diversidade Biológica (CDB) da qual o Brasil é signatário. O documento estabelece metas como ampliar, até 2020, a proteção em 17% das áreas terrestres e 10% de áreas marinhas e costeiras que deverão ser conservadas por meio de sistemas de áreas protegidas.

O último dia do CBUC enfatizará os desafios para atingir estas metas, como a de número 11, que trata dos ambientes terrestres, costeiros e marinhos. Para fechar o congresso, a representante do Ministério do Meio Ambiente, Ana Paula Leite Prates, participará do debate ao lado de membros do terceiro setor, como a secretária-geral do WWF-Brasil, Maria Cecília Wey de Britto.

Programação paralela

Em paralelo ao CBUC, acontecerá o III Simpósio Internacional de Conservação da Natureza e a IV Mostra de Conservação da Natureza, aberto ao público, com dez expositores para apresentar as ações que empreendem na área ambiental.

A ONG União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês) irá apresentar os resultados do ‘World Conservation Congress 2012’, um dos maiores eventos do mundo sobre proteção ambiental, realizado de 6 a 15 de setembro, na Coreia.

Após as mesas e debates, o CBUC terá também programação de lançamentos como o da Associação de Preservação do Meio Ambiente e da Vida (Apremavi), que lancará o livro “Gestão Participativa em Unidades de Conservação: uma experiência na Mata Atlântica”.

O WWF-Brasil lançará “Gestão de Unidades de Conservação: compartilhando uma experiência de capacitação”. No dia 25, será a vez da Editora Fundação Brasil Cidadão com “Conservação da Natureza – e eu com isso?”, “Atlas de Icapuí” e o “Guia de Plantas Visitadas por Abelhas na Caatinga”.

  • Fabíola Ortiz

    Jornalista e historiadora. Nascida no Rio, cobre temas de desenvolvimento sustentável. Radicada na Alemanha.

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