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Planeta perdeu 50% das áreas úmidas no século XX

Estudo aponta principais riscos que enfrentam as zonas úmidas, como urbanização desenfreada, poluição dos rios e agricultura intensiva.

Daniele Bragança ·
4 de fevereiro de 2013 · 9 anos atrás
Reserva Mamirauá, áreas úmidas são essenciais para o ciclo da água. Foto: Enrico Marone.
Reserva Mamirauá, áreas úmidas são essenciais para o ciclo da água. Foto: Enrico Marone.

O novo Relatório da iniciativa Economia dos Ecossistemas e Biodiversidade (TEEB, na sigla em inglês) apresenta um prognóstico negativo sobre as áreas úmidas, áreas de transição entre os ecossistemas aquáticos e terrestres, como pântanos, lagos, manguezais, áreas irrigadas, entre outros. De acordo com esse relatório, cerca de 50% de todos os ecossistemas que formam as áreas úmidas foram destruídos pela expansão da ocupação humana ao longo do século XX.

A maior parte das perdas aconteceu entre as décadas de 50 e 80, de maneira diferente em cada parte do mundo. A Europa teve a perda mais significativa: entre 55-67% das suas áreas úmidas desapareceram no século passado.

“Não obstante o grande valor do ecossistema serviços que prestam à humanidade, zonas húmidas continuam a ser degradadas ou perdidas, devido aos efeitos de produção agrícola intensiva, irrigação, extração para uso doméstico e industrial, urbanização, infraestrutura e poluição”, afirma o documento do TEEB.

Criado em 2007, iniciativa Economia dos Ecossistemas e Biodiversidade (TEEB) é uma iniciativa elaborada pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), para desenvolver uma análise global sobre o impacto econômico gerado pelas perdas da biodiversidade.

O relatório foi apresentado no último sábado, dia 2 de fevereiro, data em que se comemora o Dia Mundial das Zonas Úmidas, instituída em 1997 para homenagear a Convenção sobre Zonas Úmidas, mais conhecida como Convenção de Ramsar, pois foi realizada na cidade iraniana, em 1971.

A Convenção é um tratado intergovernamental que estabelece marcos para ações nacionais e internacionais para a conservação e o uso racional de zonas úmidas e de seus recursos naturais.

Em 2012, dos 127 países signatários da Convenção de Ramsar, 28% indicaram que houve piora no estado das zonas úmidas. Apenas 19% desse total de 127 países apresentaram bons resultados em relação à preservação desses ecossistemas.

O relatório enfatiza o fato que as zonas úmidas são cruciais na manutenção do ciclo da água que, por sua vez, sustenta todos os serviços dos ecossistemas. A questão da disponibilidade da água é tão importante que a Organização das Nações Unidas declarou que 2013 é o Ano Internacional da Cooperação pela Água.

De acordo com dados da Convenção de Ramsar e da Unesco, atualmente, 884 milhões de pessoas (12% da população mundial) vivem sem água potável e 2,5 bilhões (dois quintos da população) não têm acesso ao saneamento básico. A maior consumidora de água é a agricultura, que utiliza 70% da água doce consumida por ano no mundo.

  • Daniele Bragança

    É repórter especializada na cobertura de legislação e política ambiental. Formada em jornalismo pela Universidade do Estado d...

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Comentários 1

  1. Cássio Garcez diz:

    Brilhante análise, Beto. Parabéns e obrigado por ela.