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Aviões, poluição aérea e os principais aeroportos do Brasil

Enquanto no Brasil discute-se como ampliar número de voos, no hemisfério norte preocupação é frear uso exagerado de aviões e poluição

Redação ((o))eco ·
25 de abril de 2013 · 9 anos atrás

A aviação é responsável pelo consumo de cerca de 3% dos combustíveis fósseis do planeta e por 12% das emissões de gás carbono relacionadas a transporte, segundo dados reunidos em estudo do Laboratório para Aviação e Meio Ambiente, do Massachusetts Institute of Technology (MIT), dos Estados Unidos. Além do gás carbónico, o trânsito de aviões também gera emissão de outros poluentes, afetando a qualidade do ar (o que provoca impactos de saúde) e alterações climáticas. No hemisfério norte, onde estão concentradas as principais rotas de voo do planeta, não só os pesquisadores do MIT, mas ambientalistas, representantes da sociedade civil e autoridades têm debatido como como frear o uso exagerado de aviões, reduzir a poluição gerada por eles e minimizar o impacto decorrente de tal poluição. Na Europa, tal preocupação virou política pública e as empresas foram forçadas a tomar providências.

No Brasil, em meio às discussões sobre a infraestrutura para receber eventos internacionais, com o país sediando a Copa do Mundo em 2014 e os Jogos Olímpicos em 2016, a pressão é para que a capacidade aérea seja ampliada. Hoje, segundo dados da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), as metrópoles que concentram maior número de voos no Brasil são, nesta ordem, São Paulo (Aeroporto de Guarulhos e Congonhas), Brasília, Rio de Janeiro (Galeão e Santos Dumont), Salvador, Belo Horizonte (Confins), Curitiba, Porto Alegre e Campinas. Na última década, a quantidade de passageiros transportados mais do que dobrou, em uma tendência de crescimento que deve se intensificar nos próximos anos.

O mapa abaixo apresenta uma projeção em tempo real de voos de todo o planeta. O acompanhamento, organizado pelo flightradar24 a partir de dados das próprias aeronaves, permite observar onde se concentram e por onde passam os aviões que cruzam o espaço aéreo brasileiro. Dependendo do horário e do dia em que você ler este texto, a concentração de ícones de aviões amarelos (ao vivo) e laranjas (com cinco minutos de diferença) estará maior ou menor em determinadas regiões.

De 2011 para 2012, a região da América Latina e Caribe ficou atrás apenas do Oriente Médio em crescimento do número de passageiros transportados, com aumentos de 8,4% e 16,8%, respectivamente, conforme dados Organização Internacional de Aviação Civil. A progressão do número de voos na região é reflexo de avanços econômicos e da popularização dos voos, com mais gente tendo acesso ao transporte aéreo. Mas, ao se analisar as mudanças em curso, é preciso não apenas considerar os sinais positivos, como ter em mente também as consequências e riscos de se banalizar do uso de aviões.

A imagem abaixo combina posições de aviões mapeados pelo radar e o mapa que ilustra o estudo Saúde Pública, Clima e Impactos Econômicos da Dessulfurização do Combustível de Jatos, sobre a queima de combustível e a concentração de poluentes nas principais rotas aéreas do mundo.

 

Fontes de dados utilizados nesta reportagem:
Dados estatísticos sobre voos no Brasil estão disponíveis na página da Anac. Dados e fatos sobre aviação mundial estão disponíveis na página da Organização Internacional de Aviação Civil. Clique aqui para acessar versão em PDF em inglês do estudo do MIT citado no texto, chamado Desenvolvimento de Ferramenta de Cálculo Rápido de Emissões Globais de Aeronaves com Quantificação Incerta (Development of a Rapid Global Aircraft Emissions Estimation Tool with Uncertainty Quantification). Um resumo do estudo Saúde Pública, Clima e Impactos Econômicos da Dessulfurização do Combustível de Jatos ( Public Health, Climate, and Economic Impacts of Desulfurizing Jet Fuel) está disponível em inglês. Também vale consultar o resumo do artigo científico Mortalidade Global Atribuível a Emissões de Tráfego Aéreo (Global Mortality Attributable to Aircraft Cruise Emissions), também em inglês.

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Comentários 4

  1. Eu espero que os indígenas sejam assentados em terras degradadas do entorno, onde eles podem produzir suas roças à vontade. Infelizmente vimos muitas vezes o resultado da entrada de indígenas nas unidades de conservação do sul da Bahia e norte do Rio Grade do Sul, para no falar do litoral de São Paulo e Paraná. A extinção local dos animais de maior porte se segue rapidamente, assim como a venda de madeira. As unidades de conservação não são palco para solucionar os nosso grave problemas sociais.


    1. Leandro Travassos diz:

      Falou e disse! Com a diplomacia e o respeito que o tema merece. Parabéns à Duda pela matéria e ao Everton pelo lúcido comentário. Muito bom!


  2. Israel Gomes da Silva diz:

    Se não tem apoio de partido político, quem está bancando a picanha e a bebida que a liderança está comendo todos os dias no Sahy Vilage Shopping, sendo solicitado apenas Notinhas da comida? Todos os dias um grupo de indígenas vão à praia e aí Shopping, mesmo no frio.


  3. Salvador Sá diz:

    Parabens ao Duda pela materia, me permite concluir que estamos diante de uma nova e muito grave ameaça ao q sobrou, grave pq faz uso de uma causa nobre, mas cheia de equivocos e que está enganando muita gente e não só os próprios índios. A materia fura o cerco de silencio feito pelo ambientalismo seletivo e chapa branca midiatico.