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Tabu popular protege nova espécie de porco-espinho

A espécie descoberta era confundida com porco-espinho encontrado no Nordeste. Uma análise cuidadosa mostrou que o bicho do Ceará é distinto.

Vandré Fonseca ·
11 de dezembro de 2013 · 8 anos atrás

 

A Serra do Baturité, no Ceará, é moradia da espécie de porco-espinho descoberta, o [i]Coendou baturitensis[/i]. População teme que ele ponha mau-olhado. Fotos: Hugo Fernandes-Ferreira
A Serra do Baturité, no Ceará, é moradia da espécie de porco-espinho descoberta, o [i]Coendou baturitensis[/i]. População teme que ele ponha mau-olhado. Fotos: Hugo Fernandes-Ferreira

Manaus, AM – Crendices populares podem ser inesperadas aliadas na preservação de uma espécie de porco-espinho recém-descoberta na Serra do Baturité, no Ceará. Para sorte desse roedor, há um tabu entre os moradores que evita que ele seja caçado. “O pessoal diz que se matar o porco-espinho vai levar mau-olhado para a família”, conta o biólogo Anderson Feijó, da Universidade Federal da Paraíba.


Ver Serra de Baturité – CE num mapa maior

Feijó e Alfredo Langguthé são os autores do artigo que descreve a nova espécie de porco-espinho cearense, o Coendou baturitensis, que publicado na semana passada, na Revista Nordestina de Biologia.

Verdade ou mentira, o porco-espinho agradece à maldição popular. Graças ao imaginário dos sertanejos, o baturitensis é mais comum do que uma espécie bem parecida, encontrada em outras regiões do Nordeste, o Coendou prehensilis.

A Serra do Baturité é conhecida como um refúgio de vegetação na região semi-árida, segundo Feijó, devido ao clima por ali mais úmido do que no restante da caatinga. A coleta de um novo espécime na serra cearense permitiu a Feijó verificar com clareza as diferenças entre os dois porcos-espinhos, o baturitensis e o prehensilis.

“Um animal coletado na década de 1950, depositado no Museu Nacional do Rio de Janeiro, foi identificado como outra espécie parecida que ocorre em todo o Nordeste. Mas no ano passado foi feita uma nova coleta, que chegou até a mim”, conta Feijó. A primeira diferença percebida pelos pesquisadores estava no crânio dos animais. Mas depois, outras diferenças foram sendo reveladas. A mais marcante está nas cores. Embora ambos tenham os pêlos com três cores, a nova espécie tem a base esbranquiçada, contra uma cor amarelada nessa parte do pelo da espécie já conhecida. enquanto a já conhecida essa parte do pêlo é amarelada. Outra diferença está na faixa marrom que existe no pêlo das duas espécies. Ela é maior na lateral do baturitensis.

Feijó estudou a variação morfológica de 40 mamíferos de médio e grande porte no Nordeste e acabou nomeando outro bicho. Foi a cutia-de-garupa-laranjauma cutia, já reconhecida como uma espécie distinta, mas que aguardava um registro científico. Agora, ela tem o nome técnico de Dasyprocta iacki. Essa cutia é encontrada desde a Paraíba até, provavelmente, o Ceará. E, curioso, também ocorre na Amazônia, entre os rios Madeira e Tocantins.

 

 

Saiba mais
Artigo original: Mamíferos de Médio e Grande Porte do Nordeste do Brasil: Distribuição e Taxonomia, com Descrição de Novas Espécies. FEIJÓ, Anderson e LANGGUTH, Alfredo. Revista Nordestina de Biologia

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