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Toninha, o primo discreto

Enquanto seus parentes, botos e golfinhos, gostam de se exibir com grandes saltos, o animal da semana só "dá as caras" para tomar um fôlego.

Redação ((o))eco ·
27 de fevereiro de 2014 · 8 anos atrás
Toninha Pontoporia blainvillei fotografada na Baía da Babitonga.

Pontoporia blainvillei é o nome científico do pequeno cetáceo popularmente conhecido como toninha. Parente próxima dos golfinhos e botos, a toninha habita as regiões litorâneas da costa leste da América do Sul, entre o Espírito Santo, no Brasil, e o Golfo San Matias, na Argentina. A depender da região, a toninha também é conhecida como manico, boto-garrafa, boto-cachimbo, boto-amarelo, golfinho-do-rio-da-prata ou franciscana – este último, o nome comum utilizado em países de língua espanhola e inglesa.

O corpo da toninha, adaptado para viver no ambiente aquático, apresenta um bico longo e fino, com uma nadadeira dorsal pequena e triangular e uma nadadeira peitoral em formato de espátula. A espécie vive de 15 a 21 anos. A fêmeas podem chegar a 1,6 m de comprimento e pesar cerca de 33 kg e os machos, menores, medem 1,4 m e pesam por volta de 27 kg. Sua coloração pode variar entre tons de marrom, cinza e amarelo.

Às vezes é confundida com o boto-cinza, devido ao tamanho e à “timidez”. Diferente dos golfinhos e botos, as toninhas são muito discretas e não costumam se exibir com saltos. Mostram apenas uma pequena parte do dorso quando sobem à superfície para respirar.

As toninhas se reúnem em grupos pequenos, com 2 a 5 indivíduos com laços familiares. Estes grupos não isolados, sendo comum encontrar muitos grupos próximos na mesma área. São animais costeiros que podem ser encontradas em regiões com até 50 m de profundidade, mas a maioria permanece em áreas com até 30 m. Embora não seja comum a ocorrência de toninhas em baías, estuários ou ambientes mais protegidos, ele penetra com frequência distâncias curtas nos rios de sua área de distribuição.

Alimenta-se de uma ampla variedade de presas. Gosta de pequenos peixes, lulas e camarões. Sua dieta é composta principalmente por peixes ósseos e lulas de regiões estuarinas e costeiras. Prefere presas de pequeno porte, geralmente em torno de 10 cm.

A maturidade sexual da espécie é alcançada entre os 2 e 5 anos de idade e cerca de 115 cm de comprimento para machos, e 3 anos e 130 cm de comprimento para fêmeas. As fêmeas têm apenas um filhote a cada um ou dois anos. A gestação dura cerca de 11 meses. Ao nascer, os filhotes medem entre 70 a 80 cm de comprimento e mamam os 9 meses, mesmo sendo capazes de ingerir outros alimentos aos 3 meses.

Infelizmente, a toninha é o pequeno cetáceo mais ameaçado no Atlântico Sul ocidental. Por viverem perto da costa, é comum caírem nas redes de pescadores, onde ficam presas e se afogam. Estima-se que, a cada ano, 1500 indivíduos sejam mortos. Além disso, a limitação da espécie quanto ao hábitat preferencial é seriamente afetada pela pressão exercida pelas operações de pesca em regiões costeiras, que excessivas (sobrepesca) e/ou predatórias, reduzem a disponibilidade de alimento no ambiente.

Outro problema é o processo degradação ambiental em áreas costeiras e estuarinas. A poluição das águas pode contaminar os animais através da cadeia alimentar, causando problemas fisiológicos, reprodutivos ou comportamentais. Há também a poluição sonora, causada por embarcações, atividades portuárias e empreendimentos que geram ruídos no ambiente aquático, o que compromete o sistema auditivo das toninhas, causa stress, e pode levar os animais a abandonarem áreas importantes para sua sobrevivência.

Atualmente, a Pontoporia blainvillei é a única espécie de pequeno cetáceo ameaçada de extinção no Brasil, segundo a Lista Nacional das Espécies da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção. É classificada na categoria “Em Perigo” pelo ICMBio e “Vulnerável” pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), que também considera a espécie ameaçada.

Hoje, a conservação da espécie conta com o Projeto Toninhas, voltado para pesquisa de mamíferos marinhos e foi alvo de um Plano de Ação (PAN Toninha), do ICMBIo, que tem como objetivo evitar o declínio populacional das toninhas no Brasil. Além disso, a espécie está presente em várias unidades de conservação ao longo de sua área de ocorrência.

 

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