
Manaus, AM – A pesca da piracatinga, atividade que ameaça os botos na região amazônica, vai permanecer proibida durante cinco anos, a partir de janeiro de 2015. A moratória foi uma decisão tomada em conjunto pelos ministérios do Meio Ambiente e Pesca e Aquicultura, e atende a uma recomendação do Ministério Público Federal.
Para capturar a piracatinga, um peixe necrófago, pescadores usam carne de botos ou jacarés. Apesar de o peixe não fazer parte do cardápio tradicional da população ribeirinha da Amazônia, ele é exportado para a Colômbia e já é vendido no mercado de Manaus, com o nome de douradinha. De acordo com estimativa do Instituto Piagaçu, cerca de 2,5 mil botos são mortos por ano para servirem de isca para a pesca da piracatinga.
Os procuradores da República estão preocupados também com a possibilidade de o consumo do peixe ser noviço à saúde humana, devido ao acúmulo de mercúrio na carne da piracatinga. Como a espécie se alimenta de carniça, o metal pesado acumulado ao longo da cadeia alimentar poderia contaminar quem consumisse o peixe.
Em fevereiro, o Ministério Público Federal já havia recomendado a 12 supermercados de Manaus a suspensão imediata da venda do peixe, até que fosse comprovado que o consumo da carne da espécie não compromete a saúde humana. Segundo o Ministério Público Federal, o Código de Defesa do Consumidor, no artigo 10, prevê que o fornecedor não pode “colocar no mercado de consumo produto ou serviço que sabe ou deveria saber apresentar alto grau de nocividade ou periculosidade à saúde ou segurança”.
A Instrução Normativa assinada pelos ministros Eduardo Lopes, da Pesca e Aquicultura, e Izabella Teixeira, do Meio Ambiente, em 22 de maio, proíbe que barcos pesqueiros levem piracatingas para os portos, mesmo que os peixes tenham sido capturados acidentalmente ou já estejam mortos. Mas permite que pescadores artesanais capturem até cinco quilos da espécie, por dia, para consumo familiar.
Leia Também
Pesca da piracatinga agrava matança de botos-cor-de-rosa
Isca Sagrada
Matança nas águas da Amazônia
Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar
Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.
Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.
Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.
Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.
Leia também
Bancada ruralista acelera ‘pacote agro’ na Câmara dos Deputados
Proposta aprovada em urgência retira do Ministério do Meio Ambiente parte da competência sobre biodiversidade e fiscalização →
Pernambuco foca em carbono e ignora a urgência das áreas de risco
Enquanto o governo foca no mercado de carbono, o estado acumula 291 mortes e 545 mil desabrigados por desastres desde 1991, com prejuízos que superam os R$ 34 bilhões →
Estudante desenvolveu tecnologia para enfrentar a escassez de água no Sertão
Com menor custo, montagem simples e movido a energia solar, o sistema poderia ser aproveitado em mais regiões →
