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Alertas de desmatamento na Amazônia têm queda de 61% em janeiro

Número é o quarto menor da série histórica do INPE, mas ainda é cedo para dizer que indica tendência, diz especialista. Cobertura de nuvens foi alta no período

Cristiane Prizibisczki ·
10 de fevereiro de 2023 · 3 anos atrás

Os alertas de desmatamento na Amazônia tiveram uma queda de 61% em janeiro deste ano, quando comparado ao mesmo mês de 2022. No período, foram emitidos alertas para 166,5 km², o quarto menor valor da série histórica do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), responsável pela medição. Em janeiro do ano passado, foram emitidos alertas para uma área de 430,4 km². Os dados foram atualizados nesta sexta-feira (10) na plataforma do DETER/INPE.

Apesar da queda expressiva, especialista alerta que é preciso olhar os números com cautela. “O principal é que é uma boa notícia. Os números diminuíram e é isso o que a gente quer ver acontecer. Mas a gente precisa olhar para essa diminuição com bastante cuidado, porque janeiro foi um mês que teve um número muito grande de cobertura de nuvens na Amazônia”, diz Márcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima.

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Segundo ele, metade da região analisada pelo INPE estava encoberta, devido à grande precipitação no bioma nos últimos meses, o que pode ter impedido o satélite de fazer a leitura correta dos alertas. 

Astrini não descarta a influência que as ações tomadas pelo novo governo tiveram para o resultado. “O governo tem tomado uma série de medidas, medidas benéficas. O Ibama voltou a operar, tudo o que a gente está vendo na Terra Indígena Yanomami, a reativação do Fundo Amazônia […] Estamos vendo uma mobilização do governo para atacar o crime ambiental no Brasil e isso faz um efeito muito grande”.

Mas, para ele, a queda em janeiro pode ainda não significar uma tendência, pois é muito cedo para avaliar os resultados da política implementada pelo governo Lula.

“O governo está no caminho certo, mas a avaliação do governo no desempenho desses números a gente vai precisar de um pouco mais de tempo [para fazer]. Pode ser que em fevereiro não tenha nuvens e tenhamos um número grande de alertas de desmatamento, mas isso não muda o fato de que o governo está tomando ações e que essas ações, a seu tempo, vão empurrar essa curva de desmatamento para baixo. Precisamos dar tempo para que as atitudes do governo ganhem corpo e realmente solidifiquem uma tendência de baixa de desmatamento”, diz.

Alertas nos estados

Em janeiro de 2023, o estado que mais emitiu alertas foi o Mato Grosso, com 69 km², seguido pelo Pará (32 km²), Roraima (31 km²), Amazonas (14km²) , Rondônia (14 km²) , Maranhão (5 km²) e Acre (1 km²).

  • Cristiane Prizibisczki

    Jornalista com quase 20 anos de experiência na cobertura de temas como conservação, biodiversidade, política ambiental e mudanças climáticas. Já escreveu para UOL, Editora Abril, Editora Globo e Ecosystem Marketplace e desde 2006 colabora com ((o))eco. Adora ser a voz dos bichos e das plantas.

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