Notícias

Duas novas espécies de sapos nas montanhas da Mata Atlântica

Em cinco anos, quatorze espécies de anfíbios foram descobertas em áreas altas da Mata Atlântica no Sul do país

Vandré Fonseca ·
15 de agosto de 2017 · 4 anos atrás
O B coloratus foi encontrado no município de Piraquara (PR). Pequeno, resistente ao frio e não sabe nadar. Foto: Luiz Fernando Ribeiro.
O B coloratus foi encontrado no município de Piraquara (PR). Pequeno, resistente ao frio e não sabe nadar. Foto: Luiz Fernando Ribeiro.

Duas novas espécies de sapinhos, que cabem na ponta de um dedo, foram descobertas no topo de montanhas das cidades paranaenses de Piraquara e São José dos Pinhais, na Serra do Mar. Além do tamanho reduzido, eles chamam a atenção por outras adaptações para a vida nas alturas: resistência ao frio e não sabem nadar, apesar de serem anfíbios.

Além disso, não passam pela fase de girino no desenvolvimento e possuem número de dedos reduzidos em relação a outras espécies. Com tamanho entre 10 e 12 milímetros, estão entre os menores vertebrados terrestres do mundo. Os sapinhos pertencem ao gênero Brachycephalus, que em latim significa latim “cabeça com braços” e são endêmicos da Mata Atlântica. A descrição do B coloratus e do B curupira foi publicada em julho na revista Peerj, por biólogos do Instituto de Estudos Ambientais Mater Natura, uma organização não governamental.

De acordo com os responsáveis pela descoberta, esses sapinhos da montanha só podem ser encontrados nessa região. “Uma característica dessas espécies é o microendemismo, ou seja, um fenômeno que torna a distribuição delas extremamente reduzida, em apenas uma localidade identificada até o presente momento”, afirma o biólogo Luiz Fernando Ribeiro, professor da PUCPR e pesquisador do Mater Natura.

O B curupira pertence ao mesmo gênero, mas possui uma cor mais escura. Assim como o primo, não passa pela fase de girino. Foto: Luiz Fernando Ribeiro.
O B curupira pertence ao mesmo gênero, mas possui uma cor mais escura. Assim como o primo, não passa pela fase de girino. Foto: Luiz Fernando Ribeiro.

Ao longo de cinco anos, quatorze espécies de anfíbios foram descobertas na Mata Atlântica, entre os estados do Paraná e Santa Catarina. O biólogo Márcio Pie, pesquisador do Mater Natura e professor da Universidade Federal do Paraná, destaca a importância do financiamento oferecido pela Fundação Grupo Boticário para os estudos, que tornou possível expedições já realizadas e outros já planejadas. “A dificuldade de chegarmos a vários desses ambientes provavelmente fez com que esses anfíbios tenham sido relativamente negligenciados em estudos prévios”, afirma.

Um sapinho Floydiano

Em maio, outra espécie de Brachycephalus havia sido descoberto na Serra do Brigadeiro, em Minas Gerais, e ganhou um nome um tanto excêntrico. O batismo do B darkside foi inspirado na trilha sonora que embalava o descanso dos pesquisadores, um álbum da banda Pink Floyd, mas tem relação também com um tecido conjuntivo preto que cobre os músculos dorsais da espécie. A espécie foi identificada durante o mestrado em Biologia Animal da aluna Carla Silva Guimarães, na Universidade Federal de Viçosa (UFV).

 

Saiba Mais

Artigo: Two new species of the Brachycephalus pernix group (Anura: Brachycephalidae) from the state of Paraná, southern Brazil.

Leia Também

http://www.oeco.com.br/fauna-e-flora/26313-sapinho-de-3-dedos-e-mais-nova-especie-da-mata-atlantica

http://www.oeco.com.br/convidados/noticias/27231-mais-especies-em-risco-na-mata-atlantica

Novos anfíbios nas bromélias da Mata Atlântica

 

 

Leia também

Notícias
15 de dezembro de 2015

Novos anfíbios nas bromélias da Mata Atlântica

Descrição de novas espécie foi publicada em duas edições do jornal de acesso livre PloS One, no início de dezembro

Salada Verde
15 de outubro de 2021

GLO ambiental não será renovada, anuncia Mourão

A operação acabou nesta sexta-feira (15). Atuação de militares não resultou em diminuição do desmatamento na Amazônia, mesmo com efetivo e orçamento maiores que dos órgãos ambientais

Notícias
15 de outubro de 2021

Justiça do México suspendeu revisão da meta climática, apresentada em 2020

Assim como o Brasil, o México revidou a meta para abaixo do estabelecido no Acordo de Paris. Greenpeace questionou na Justiça a nova NDC e ganhou

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta