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Três anos após tragédia, 203 hectares de encostas em São Sebastião seguem em recuperação

Deslizamentos ocorridos em fevereiro de 2023 deixaram 853 cicatrizes de desmatamento na cidade. Cerca de 70% da área já está recoberta de vegetação

Cristiane Prizibisczki ·
20 de fevereiro de 2026

Entre a noite do dia 18 e madrugada do dia 19 de fevereiro de 2023, uma chuva torrencial caiu sobre a cidade de São Sebastião, litoral norte paulista. Foram 682 milímetros em 24 horas, o maior acumulado que se tem registro no país. Além das 65 vidas ceifadas em decorrência dos deslizamentos provocados pela precipitação, a chuva deixou 853 cicatrizes nas encostas, vegetação que, passados três anos da tragédia, ainda luta para se recuperar.

O trabalho de recuperação destas áreas teve início um mês após a tragédia, quando o Instituto de Conservação Costeira (ICC) – entidade socioambiental dedicada à conservação da Mata Atlântica – apresentou ao poder público estadual um projeto de restauração, como resposta à instabilidade das encostas e ao risco de novos deslizamentos.

Passados dois anos de execução efetiva do projeto – o primeiro ano pós tragédia foi voltado para construção das melhores estratégias a serem empregadas – , 203 hectares, ou cerca de 280 campos de futebol, continuam em recuperação.

 “O trabalho conta com monitoramento técnico contínuo, que aponta que mais de 70% das áreas já estão recobertas por vegetação nativa, demonstrando avanço consistente no processo de regeneração ambiental”, disse o ICC, por meio de nota, a ((o))eco.

Como as áreas atingidas possuíam alta declividade e difícil acesso, a técnica de dispersão das sementes é feita com uso de drones. As sementes são dispersadas em cápsulas biodegradáveis, para aumentar a eficiência do processo.

Ao longo do tempo de execução, foram lançadas mais de 134 milhões de sementes nativas da Mata Atlântica, como crindiúva, guapuruvu e embaúbas. 

Braço educacional

Por sua topografia e histórico geológico e ocupacional – leia mais na reportagem “Litoral de SP: as diferentes camadas da tragédia e porque ela pode se repetir” –  São Sebastião é considerado um município com alta suscetibilidade a desastres climáticos.

Além do trabalho de recuperação ambiental, também tem sido desenvolvido na cidade um programa de educação climática, com oficinas semanais sobre prevenção de riscos em escolas públicas. 

Estudantes em apresentação dentro do projeto Escolas Seguras. Crédito: Instituto Conservação Costeira (ICC)

O Projeto Escolas Seguras, como é chamado localmente, educa comunidades escolares em áreas vulneráveis para prevenir desastres naturais e climáticos. Com foco em educação para redução de risco (ERRD), ele capacita estudantes e professores a reconhecer perigos, usar tecnologias de monitoramento (pluviômetros) e criar planos de contingência, tornando os alunos protagonistas na resiliência local.

  • Cristiane Prizibisczki

    Jornalista com quase 20 anos de experiência na cobertura de temas como conservação, biodiversidade, política ambiental e mudanças climáticas. Já escreveu para UOL, Editora Abril, Editora Globo e Ecosystem Marketplace e desde 2006 colabora com ((o))eco. Adora ser a voz dos bichos e das plantas.

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