Colunas
12 de novembro de 2004

Abdicação Ambiental

O Brasil abdicou de seu papel na governança ambiental global. Para retomá-lo, o governo tem que mudar a atitude, ser pluralista e assumir responsabilidades.

Por Sérgio Abranches
12 de novembro de 2004
Notícias
12 de novembro de 2004

Na cúpula?

O jornal O Globo (gratuito, pede cadastro) divulgou o conteúdo de mais gravações obtidas pela Polícia Federal na investigação sobre a máfia dos combustíveis. O esquema de cobrança de propinas para a concessão de licenças ambientais na Feema pode envolver a cúpula do órgão estadual. Nas conversas entre os dois principais acusados de pertencerem à máfia dos combustíveis (já presos), ele citam diversas vezes contatos com a presidência da Feema, inclusive quando o assunto é a “tabela” de valores cobrados para a liberação de licenças.

Por Lorenzo Aldé
12 de novembro de 2004
Notícias
12 de novembro de 2004

Bloco da reciclagem

O Unidos da Lata de Lixo recicla para fazer instrumentos e fantasias. O material que os catadores da região acham que não compensa vender é doado para os sambistas. Garrafões de água, latões e baldes de plástico compõem o naipe dos surdos e repiques. Latas de cerveja viram tamborins e ganzás. Não há folga para tampas de panela e frigideiras nem para as sobras de napa usadas por capoteiros locais. Vale tudo, até argolas de latinhas transformam-se em enfeites. Localizado no bairro de Colégio, Zona Norte do Rio de Janeiro, o bloco divulga a idéia da reciclagem e, quando sai, junta 300 foliões animadíssimos. Viva Favela (gratuito).

Por Eduardo Pegurier
12 de novembro de 2004
Notícias
12 de novembro de 2004

Calor polar

A temperatura no Ártico está aumentando ao dobro da velocidade do resto do planeta. Os modelos de efeito estufa já previam que a área seria mais afetada devido a um mecanismo de feedback. A neve e o gelo refletem a maior parte da luz de volta ao espaço. À medida que derretem, essa capacidade diminui e o processo de aquecimento se acelera. Entre as conseqüências previstas está o aumento do nível dos mares nesse século em até um metro e a possível extinção do urso polar. New Scientist (gratuito).

Por Eduardo Pegurier
12 de novembro de 2004
Notícias
12 de novembro de 2004

Em compensação… mais petróleo

Estima-se que boa parte das reservas não exploradas de gás e petróleo esteja na região ártica, em áreas da Rússia, Alaska, Canadá, Noruega e Groenlândia. O derretimento da cobertura de gelo facilitará a prospecção e o transporte dessas matérias-primas. No atual ritmo de aquecimento, no fim do século existirão mais rotas marítimas e a duração da temporada anual de navegação aumentará dos atuais 20 ou 30 dias para 120. Yahoo News / Reuters (gratuito).

Por Eduardo Pegurier
12 de novembro de 2004
Notícias
12 de novembro de 2004

PT contra PT

O deputado estadual Carlos Minc, do PT, liderou uma operação no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, com o objetivo de derrubar construções irregulares que avançam no terreno em torno do parque, que pertence à União. Com ele, estavam agentes da Delegacia Estadual do Meio Ambiente, do Ibama e da Comissão de Defesa do Meio Ambiente da Assembléia Legislativa. Cerca de 80 moradores fizeram um cordão de isolamento para impedir a ação, e chamaram o vereador Édson Santos, também do PT, para interceder a seu favor. Édson é um conhecido defensor da comunidade: a presidente da associação de moradores, Maria Emília, é sua irmã. Para evitar o confronto, a equipe bateu em retirada. Mas deve voltar em breve, segundo O Globo (gratuito, pede cadastro).

Por Lorenzo Aldé
12 de novembro de 2004
Notícias
12 de novembro de 2004

Leão de chácara

Um leão sofreu vasectomia em Franca, São Paulo, para evitar o aumento de sua prole, que já conta com oito animais. O detalhe é que os leões moram num sítio. Há quatro anos, foram abandonados por um circo e adotados por uma família. Na época, eram cinco. Depois de nascerem mais três, a família adotiva resolveu acabar com a procriação, como conta a Folha de S. Paulo (só para assinantes)

Por Lorenzo Aldé
12 de novembro de 2004
Fotografia
12 de novembro de 2004

O grilo

O grilo é um Pycnosarcus atavus, um inseto inofensivo de aparência feroz, que parece feito sob medida para a coluna de Maria Tereza Pádua sobre os...

12 de novembro de 2004
Colunas
12 de novembro de 2004

A Cinqüentona Gallotti

O cinquentenário de uma escalada ao Pão de Açucar é a chance de encontrar cariocas que ainda olhavam para o Rio de Janeiro como um lugar a ser conquistado.

Por Marcos Sá Corrêa
12 de novembro de 2004
Análises
11 de novembro de 2004

S.O.S. biodiversidade

De Germano Woehl Jr.       Coordenador de Projetos      Instituto Rã-bugio para Conservação da BiodiversidadeAo contrário do que afirma a reportagem, a nova lei da mata Atlântica, se aprovada, será um grande retrocesso; será o golpe de misericórdia nos últimos fragmentos de floresta. Teremos uma extinção em massa do que sobrou da nossa biodiversidade, que ficará para a história. Quando foi aprovada na Câmara, no ano passado, alguns órgãos de imprensa, como o Jornal do Brasil, observaram os aspectos nefastos dessa nova lei. A lei atual é muito mais rigorosa, clara, objetiva e muito simples de fiscalizar. Na nova lei, a proteção dos remanescentes fica condicionada a aspectos completamente subjetivos, que tornará praticamente impossível a punição dos infratores. O cidadão comum estará impossibilitado de encaminhar uma denúncia de desmatamento (como é que ele vai saber que ali vive uma espécie de grilo ameaçado de extinção ou se ali é um “corredor ecológico”?).É uma total insanidade liberar os desmatamentos em propriedades com área menor de 50 hectares para quem a lei define como “pequenos produtores rurais”. Nem é preciso muita criatividade para qualquer proprietário usar essa brecha e desmatar extensas áreas. Abrir uma brecha desse tamanho para conceder um falso benefício a uma minoria da população brasileira não faz o menor sentido. No último senso do IBGE, a população rural do Brasil (que vive da agricultura) é menor do que 10%. No domínio da mata Atlântica, essa população (que vive exclusivamente da agricultura) é bem menor e praticamente já destruiu integralmente a mata Atlântica de suas propriedades, de modo que a nova lei vai beneficiar investidores que vivem nas áreas urbanas, que vão se transformar em NEO-PEQUENOS-AGRICULTORES e aniquilar os últimos bichos que lutam para sobreviver nos minguados fragmentos dos ecossistemas.Outro absurdo é conceder para os estados o poder de autorizar os desmatamentos de florestas em estágio médio de regeneração. Se hoje, podendo decidir sobre o estágio inicial, já fazem essa farra (classificam florestas intactas como capoeira e ignoram totalmente as áreas de preservação permanente), imaginem o que não farão com essa nova lei em vigor (será muito fácil, por exemplo, convencer um juiz de que a definição entre estágio médio e avançado é um tanto confusa e escapar de eventuais punições).Um aspecto muito curioso do texto da nova lei é o fato de entrar em detalhes sobre a comercialização de mudinhas de árvores, como se a mata Atlântica fosse constituída apenas de árvores, ignorando outras milhares de espécies de plantas – e animais. É muito esquisito a lei se ater a esse nível de detalhamento - para um aspecto totalmente irrelevante - e deixar, por exemplo, de se preocupar com as peculiaridades das espécies da fauna e flora que ocupam vários nichos ecológicos dentro dos ecossistemas.Ao permitir a destruição do sub-bosque, para implementação de projetos agro-florestais nos últimos fragmentos de mata Atlântica, a nova lei também condena à extinção mais da metade das espécies de pássaros e a maioria dos pequenos vertebrados, que dependem desse nicho ecológico (“nicho ecológico” não é “lixo ecológico”, como acham os que propuseram esse absurdo na lei).Ter a pretensão de proteger a mata Atlântica com essa nova lei, onde tudo é permitido, é o mesmo que a sociedade liberar os assaltos às residências como medida para reduzir esse tipo de crime. Aliás, no caso da mata Atlântica, a situação é muito mais grave: ela está quase extinta! A sociedade precisa ser conscientizada que as áreas remanescentes já estão muito raras e todo o esforço precisa ser empreendido para que a integridade dessas áreas seja preservada. Estas áreas remanescentes devem ser prioritariamente destinadas a servirem como fonte de vida, para que as gerações futuras tenham condições de recuperar o que destruímos, e não como fonte de renda, para beneficiar poucos e inviabilizar a vida de milhares de organismos, que inclui nossa espécie.

Por Redação ((o))eco
11 de novembro de 2004

Seja membro e faça parte do maior portal de jornalismo ambiental do país!

Entrar