Reportagens

Ilhas protegidas

A Câmara dos Deputados aprovou a criação de uma Unidade de Conservação para proteger o arquipélago das Cagarras, as ilhas cariocas. Só falta o Senado.

Carolina Elia ·
11 de março de 2005 · 21 anos atrás

Os cariocas perderam o costume de receber boas notícias, mas aqui tem uma. O plenário da Câmara dos Deputados aprovou a criação do Monumento Natural do Arquipélago das Cagarras. O Projeto de Lei ainda tem que passar pela tribuna do Senado, mas aumentam as chances de a cidade voltada para o mar ter sua primeira unidade de conservação marinha.

O Projeto de Lei 1683/03 foi proposto pelo deputado Fernando Gabeira e visa proteger o arquipélago, composto por cinco ilhas e duas ilhotas, da depredação humana. Com exceção de uma ilha ocupada pela Marinha, as demais são inabitadas. Mas elas ficam a apenas 5 quilômetros da praia de Ipanema e têm como vizinho o emissário submarino de esgoto do bairro. Nos fins de semana, é endereço de campistas e ponto de mergulho e pesca. Nenhum órgão fiscaliza essas atividades, que poderiam ser inofensivas ao meio ambiente desde que fossem normatizadas

Em monumentos naturais é permitida a visitação pública, mas com restrições. No caso das Cagarras, o Projeto de Lei proíbe “qualquer atividade que possa pôr em risco a integridade dos ecossistemas e a harmonia da paisagem”. Acampamentos e competições esportivas estão vetados, bem como qualquer outra interferência humana que possa perturbar a fauna aquática e as aves marinhas do arquipélago.

Apesar de não terem praias e serem relativamente pequenas, as ilhas das Cagarras são ricas em biodiversidade. Um dos motivos é a sua localização latitudinal, no limite entre a zona tropical e subtropical temperada. Seus costões abrigam diferentes espécies de peixes, moluscos, crustáceos e esponjas. Os polvos e lulas os elegeram como local de reprodução e golfinhos e baleias Franca e Jubarte passam por ali ocasionalmente. Recentemente, tartarugas começaram a se tornar freqüentes, mas as lagostas sumiram, alerta o deputado Fernando Gabeira. Em terra, as aves tomaram conta da Mata Atlântica remanescente. Há ninhos de tesourão, gaivotas e atobás, mas a presença humana quando não quebra os ovos espanta os pássaros.

Quando criado, o Monumento Natural das Cagarras terá um órgão gestor responsável e um Conselho Consultivo, que incluirá representantes da sociedade civil. Mas o mais importante é que terá um plano de manejo para definir o que se pode fazer nestas ilhas de picos redondos e formas suaves que emprestam mais uma bela paisagem natural à cidade do Rio de Janeiro.

Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar

Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.

Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.

Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.

Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.

Leia também

Salada Verde
30 de abril de 2026

Maior evento de observação de aves do mundo contará com etapa no norte do Paraná

Global Big Day promove a observação de aves como ferramenta para conservação; movimento no Brasil ganha força com o turismo de natureza na região norte do Paraná

Reportagens
30 de abril de 2026

Santa Marta encerra conferência com avanço político e pressão por tratado dos fósseis

Sem acordos vinculantes, conferência articula coalizão internacional e pressiona por saída dos combustíveis fósseis

Colunas
30 de abril de 2026

A distância também adoece: o acesso à saúde em comunidades remotas da Amazônia

Garantir um acesso contínuo e digno à saúde na Amazônia exige atuação conjunta. Nenhuma instituição, isoladamente, dará conta dessa complexidade

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.