Reportagens

Proteção para desorientadas

Inaugurada há quatro meses, nova base do Projeto Tamar em Florianópolis (SC) destina-se às poucas tartarugas marinhas que vão parar nas frias águas do Sul.

Carla Lins ·
6 de maio de 2005 · 21 anos atrás

A 21ª base do Projeto Tamar, um dos mais bem-sucedidos do Brasil, foi inaugurada há quatro meses na praia da Barra da Lagoa, em Florianópolis. É um refúgio para as poucas tartarugas marinhas levadas tão ao sul pelas correntezas.

O local foi escolhido por abrigar uma das maiores comunidades pesqueiras de Santa Catarina. “Nosso objetivo é ter os pescadores como aliados. Quando eles encontrarem tartarugas em situações de risco saberão como tratá-las”, afirma José Henrique Garcia, diretor da base 21.

Não é freqüente, mas muitas tartarugas desorientadas acabam nas águas da região sul, geralmente trazidas por correntes marinhas. Muitas delas acabam presas nas redes de pesca. Antes da base do Tamar, os pescadores não tinham para onde levá-las. Mas agora estão sendo treinados em como proceder nestes casos, o que aumenta as chances de elas sobreviverem quando capturadas.

O que poucos sabiam é que uma tartaruga em choque pode ficar até 10 horas desmaiada, período em que o pescador pode pensar que ela está morta. “Uma das principais intenções do projeto é que as pessoas conheçam a forma de viver das tartarugas. Assim, certamente muitas serão salvas”, afirma José Henrique.

Desde a sua implantação, em janeiro, a Base Sul do Projeto Tamar resgatou quatro tartarugas que estavam com ferimentos. Duas foram soltas no dia da inauguração, outra ainda está em fase da adaptação, pois teve uma de suas nadadeiras arrancadas por um predador natural. A quarta morreu. Na Barra da Lagoa também foi instalada uma base para visitação, com algumas delas sendo mantidas em tanques. Pelo lado educacional, o Tamar recebe excursões de escolas.

Parece pouco, mas deve-se considerar que a maior parte das tartarugas marinhas vive concentrada na costa brasileira entre Bahia e Sergipe, sendo relativamente raras nas águas frias do Sul – tanto que a maioria dos sulistas só as conhece de ver no Discovery Channel.

* Carla Lins tem 21 anos e é recém-formada jornalista em Florianópolis.

Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar

Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.

Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.

Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.

Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.

Leia também

Externo
2 de outubro de 2026

Só 1% do orçamento foi destinado ao clima por candidatos a governador que buscam permanecer no poder na Amazônia 

Em cinco estados da Amazônia Legal, candidatos à reeleição e políticos que assumiram o governo durante o atual mandato disputam a permanência no cargo. Apesar de todos citarem a agenda climática em seus planos de governo para 2026, juntos, os cinco governos empenharam apenas 1,3% do orçamento em despesas relacionadas ao tema desde 2023: R$ 6,4 bilhões, contra R$ 475 bilhões em gastos não relacionados ao clima →

Análises
2 de outubro de 2026

Futuros governadores têm desafio de recuperar o Cerrado, berço das águas 

As candidaturas ao governo dos estados receberam uma lista de propostas concretas para recuperar as bacias hidrográficas do bioma que abastece oito das doze grandes bacias do país →

Análises
2 de outubro de 2026

Muito do futuro da conservação da natureza se decide no Congresso

Desmonte socioambiental e passivo institucional são apenas algumas das decisões que podem ser barradas ou avançadas no Legislativo →

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.