A relação que existe entre o excessivo crescimento das cidades e a piora na qualidade de vida acarretada por essas mudanças é a chama de uma discussão permanente entre ambientalistas brasileiros que, desde meados da década de 90, se dedicam a questionar os efeitos da urbanização. Depois de muitos anos de encontros e debates, eles acreditam ter dado mais um passo nesta luta.
A Conferência Internacional Metrópoles Saudáveis, realizada em São Paulo na última semana, teve como objetivo traçar estratégias para conquistar a chamada “saúde” urbana para os grandes centros.
Durante o evento foram discutidos sistemas de gestão ambiental apropriados para diferentes cidades, baseados em experiências bem-sucedidas. “É difícil que uma cidade cresça demais e, ao mesmo tempo, continue sendo saudável. Não estamos aqui para sermos utópicos, mas para discutir indicadores e escalas que possibilitem os melhores resultados”, ressalta o presidente do Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental (Proam), Carlos Bocuhy.
Segundo ele, o Proam é uma organização pioneira no debate de questões relacionadas à qualidade de vida em grandes centros. Ao criar o Programa Metrópoles Saudáveis, que vem sendo articulado desde 2003, o órgão se dispôs a traçar indicadores de saúde urbana e trazer à tona assuntos de desenvolvimento sustentável. Bocuhy, apesar de não priorizar alguns indicadores em detrimento de outros, lista itens imprescindíveis para o bom funcionamento de megacidades. “Água suficiente para a sobrevivência da população, níveis moderados de poluição atmosférica, uso adequado e qualidade dos solos, áreas verdes para evitar as ilhas de calor e controle da violência urbana.”
Bocuhy ressalta que, cada vez mais, a saúde urbana tem de ser discutida, porque as metrópoles estão constantemente em processo de crescimento. “Nos anos 50, apenas uma cidade no mundo (Nova York) tinha mais de 5 milhões de habitantes. A expectativa é que, em 2015, existam 37 com mais de 10 milhões de habitantes”, conta, referindo-se aos dados de uma pesquisa realizada pela revista National Geografic em 2002, com base em informações da Organização das Nações Unidas (ONU). “Isto é mais do que suficiente para darmos atenção à questão da qualidade de vida em grandes centros”.
Desde a implementação do programa, o Metrópoles Saudáveis foi dividido em duas fases. A primeira contou com o levantamento de dados baseados na opinião de cerca de cem cientistas de diversas áreas. “A consulta foi feita durante as outras edições da conferência, em Buenos Aires e São Paulo. Ouvimos uma variedade de especialistas, para obter uma visão multidisciplinar da questão”, destaca o presidente do Proam. Durante a segunda etapa, será elaborado um Termo de Referência para Metrópoles Saudáveis por uma equipe multidisciplinar.
As conclusões do estudo deverão apontar para políticas de prevenção e correção, necessárias para a reversão do quadro que caótico que vem sendo instalado nas grandes cidades. “Nosso deadline é agosto do ano que vem. Até lá, esperamos fechar o relatório e entregá-lo para nossos parceiros”, afirma Bocuhy, lembrando que o documento será encaminhado para a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS/OMS), Programa das Nações Unidas para o Meio-Ambiente (PNUMA), Organização dos Estados Americanos (OEA) e UNESCO. Durante o seminário, cidades estrangeiras e brasileiras apresentaram experiências de sucesso. “A questão é transnacional”.
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