Reportagens

Amazônia chega ao Fórum

Em reunião, Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas cobra do governo metas para redução do desmatamento. Sem elas não haverá avanço no plano nacional contra o aquecimento.

Ana Cláudia Nioac ·
19 de fevereiro de 2008 · 18 anos atrás

O Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas entrou na briga contra a devastação da Amazônia. Reunindo, em 14 de fevereiro no Rio de Janeiro, representantes do Governo Federal, dos estados, de empresas e de ONGs, para tratar do Plano Nacional Sobre Mudanças Climáticas – que é uma encomenda oficial de Brasília – o colegiado deixou claro que não adianta botar no papel o que país não puser também no Programa de Aceleração do Crescimento ou em qualquer projeto de desenvolvimento. Quer que o governo defina metas quantitativas e medidas de controle para a redução da taxa desmatamento. Sem elas, não haverá planejamento ou controle efetivo das políticas públicas para mudanças climáticas.

A prerrogativa de definir essas taxas é do governo – e o plenário evitou a tentação de fixá-las por decisão colegiada. Mas resolveu que cabe ao governo esclarecer, inclusive à opinião pública, em que dados e cálculos elas se baseiam, e não usar números cuja lógica só o Ministério do Meio Ambiente entenda. Como a reunião ocorreu na semana passada, sob a presidência do secretário-executivo Luiz Pinguelli Rosa, o plenário refletiu as más notícias sobre a Amazônia divulgadas pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).

Quer receber nossa newsletter?

Fique por dentro do que está acontecendo!



Quer receber nossa newsletter?

Fique por dentro do que está acontecendo!



Também entrou na discussão a urgência de se rever a matriz energética brasileira. Ou seja, usar mais fontes alternativas e depender menos de hidrelétricas. O Fórum defende um programa de eficiência energética, para cortar perdas, por exemplo, nas linhas de transmissão e mudar os padrões de consumo. O que tem a vantagem de produzir efeitos imediatos na regularização do fornecimento de eletricidade, o que não se consegue com obras faraônicas. E, como a eficiência energética reduz os impactos ambientais, é parte inseparável de qualquer plano sobre mudanças climáticas que se possa levar a sério.

Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar

Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.

Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.

Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.

Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.

Leia também

Salada Verde
22 de julho de 2026

Carta de Curitiba pede ação urgente para proteger unidades de conservação no Brasil

Aprovado por aclamação pelos participantes da 1ª Conferência Nacional de Unidades de Conservação para a Biodiversidade, documento pede criação e implementação de UCs de proteção integral

Notícias
22 de julho de 2026

Levantamento revela redução alarmante de fêmeas de onça-pintada na Amazônia

Mesmo em um dos principais refúgios para o felino no país, a densidade de fêmeas de onça-pintada teve uma misteriosa queda de 77% em 17 anos, alerta estudo

Salada Verde
22 de julho de 2026

Cemaden mantém alerta de risco muito alto para inundações no Rio Grande do Sul

Com 143 municípios afetados pelas chuvas e cerca de 460 pessoas desabrigadas, estado segue sob risco de novas cheias nas bacias dos rios Taquari e Caí

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.