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Para minha felicidade, um dos palestrantes da primeira apresentação era o jornalista Sérgio Abranches, um dos fundadores do ((o))eco. Não havia recebido a programação previamente, então foi uma surpresa boa vê-lo. Com ele, estavam presentes: Haili Cao (Caixin Media, China), Obinna Anyadike (Irin News, África do Sul), Joydeep Gupta (IANS/Third Pole Project, Índia), Yolandi Groenewald (City Press, África do Sul) e, por teleconferência, Randy Olson (cientista, cineasta e autor do livro Don’t Be Such a Scientist).
Cada um dos comunicadores destacou pontos que considera importante para inovar e informar sobre mudanças do clima.
| Ouça aqui algumas dicas sobre como melhorar a cobertura ambiental e científica, por Sérgio Abranches. |
“Games” e Mudanças Climáticas
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Fomos divididos em duas equipes. Havia um dado, grãos vermelhos e duas linhas azuis que representavam as margens de um rio. Cada um recebeu 10 grãos e a cada rodada éramos questionados por Pablo sobre riscos de eventos extremos. Ele explicava que havia uma chance em seis de acontecer seca ou enchente, por exemplo, e pedia para agirmos como administradores públicos e pensar em qual desses eventos extremos a gente iria investir o dinheiro. Após tocar o dado, quem havia colocado o evento oposto, perdia quatro grãos, prejuízo. Quem tivesse optado pela neutralidade, não perdia nada, assim como quem havia optado pelo evento certo. Quem tivesse mais grãos no final era o vencedor.
Minha equipe venceu e eu venci, individualmente, como a melhor administradora de eventos extremos, pois perdi menos grãos vermelhos, ou seja, investi o dinheiro na prevenção dos eventos corretos. E ainda ganhei alfajores Havanna por isso! Foi uma experiência interessante, pois além de brincar percebemos a dificuldade em projetar ações ligadas às mudanças do clima.
Ceticismo
Ao final, houve um painel sobre a relação entre os céticos do clima e a imprensa. Ministrada por James Painter, coordenador do Programa de Pesquisa em Jornalismo da Universidade de Oxford (Reino Unido), a palestra destacou os jornais do mundo que menos dão espaço à comunidade contrária ao aquecimento global.
A América do Sul e a África são os continentes que menos abrem espaço para uma visão contrária às mudanças do clima. O Brasil destaca-se nesse grupo, já que no ano de 2007 e na segunda metade de 2009 (após o Climategate) e 2010 menos de 5% de suas matérias climáticas deram voz aos céticos. “Por ter uma matriz energética pouco dependente dos combustíveis fósseis e muito ligada à hidroeletricidade, parece que a imprensa brasileira sofre menos pressão das grandes empresas petrolíferas quando se trata de aquecimento global. Além disso, percebemos uma grande ligação entre os comunicadores e os cientistas no país, o que os torna mais aptos a avaliar a informação antes de publicar”, justifica Painter.
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