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Ativistas presos no Japão

Governo japonês condena membros do Greenpeace que denunciaram atividade ilegal de caça às baleias

Redação ((o))eco ·
8 de setembro de 2010 · 16 anos atrás
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O presidente do Greenpeace (à esquerda) com os dois ativisitas japoneses (foto: Greenpeace)
O presidente do Greenpeace (à esquerda) com os dois ativisitas japoneses (foto: Greenpeace)

Junichi Sato e Toru Suzuki, ativistas do Greenpeace, foram condenados hoje a um ano de prisão em Aomori – Japão-, por denunciarem um escândalo de corrupção dentro do programa baleeiro mantido pelo governo japonês. Ambos estão impedidos, pelo governo, de se envolver em qualquer atividade do Greenpeace durante três anos.

Sato e Suzuki, acusados de roubo e invasão de propriedade, desenvolveram uma investigação de interesse público que comprovou o desvio de caixas de carne de baleia para uso privado da tripulação dos navios baleeiros e não para pesquisas científicas, como alegava o governo japonês. Portanto, os ativistas comprovaram claramente a violação das leis internacionais que proíbem a caça de baleias. O Greenpeace considera desproporcional e injusta a condenação aos ativistas que demonstraram que a atividade baleeira no Japão não atende nem a verdadeiros interesses científicos nem à necessidade alimentar de sua população, e sim aos interesses políticos da agência de pesca japonesa, a JFA, que mantém as atividades mesmo sem um mercado interessado na carne, manobrando subsídios que ultrapassam milhões de dólares. O Japão, apesar de condenado pela comunidade global da Comissão Baleeira Internacional, nega-se a parar com a caça de baleias na Antártida.
 
“Nossa denúncia tinha como alvo a verdade sobre o programa baleeiro japonês e fomos condenados. Enquanto isso, quem promove o mal uso do dinheiro público anda livremente”, afirmou Suzuki em nota distribuída pelo Greenpeace. “Ao mesmo tempo que admite práticas questionáveis da indústria baleeira, a justiça japonesa não reconhece o direito de expor tais ilegalidades à opinião pública”, declarou Junichi Sato.

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A defesa dos ativistas se deu com base na Convenção Internacional de Direitos Civis e Políticos, tratando o caso como um crime doméstico, porém o julgamento não tomou isso em consideração e o caso continua visto como uma violação dos direitos humanos com motivações políticas pela opinião pública internacional.

O caso gerou atenção internacional. Durante o julgamento, bandeiras foram levantadas em embaixadas japonesas ao redor do mundo em apoio aos ativistas. Personalidades, como o Prêmio Nobel Arcebispo Desmond Tutu, grupos internacionais de direitos humanos, juristas, e Navi Pillay, Alta Comissionária em Direitos Humanos das Nações Unidas, manifestaram suas preocupações sobre o caso e, particularmente, em relação à liberdade de expressão.

 O Greenpeace realiza hoje (8/9), às15 horas, uma manifestação contra a criminalização do ativismo em São Paulo. (Laura Alves)

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