Fotos: Ricardo Gomes
O aumento da frequência de francas no litoral fluminense encorajou Lodi e Ricardo Gomes, também biólogo de formação mas fotógrafo de profissão, a procurarem José Truda, fundador do Projeto Baleia Franca, dedicado à preservação da espécie no litoral brasileiro. Propuseram a ele criar um núcleo para cuidar das francas que andam visitando a costa fluminense. Truda topou e na sexta-feira, dia 17 de setembro, no Rio de Janeiro, inaugura-se a primeira operação do Projeto fora de Santa Catarina, onde foi fundado em 1985. A expansão da sua área de atuação não será a única novidade do dia.
Essa espécie de baleia, ao contrário de outras, gosta de chegar até a arrebentação. “Faz parte de seu comportamento natural”, explica Groch. “Mas como a maioria das pessoas não sabe disso, tentam, a nado ou de barco, empurrá-las para longe da praia”, conta Lodi. Essa foi a principal característica do molestamento de baleias francas no litoral fluminense. Por essa razão, a primeira fase dos trabalhos do núcleo do Rio de Janeiro será a de divulgar informações à população sobre as francas.
“Vamos começar um programa de educação dirigido primeiramente às pessoas que têm mais chance de esbarrar em uma baleia no mar ou de serem chamadas a ajudar em caso de problema”, explica Ricardo Gomes, que será o coordenador do núcleo, que já tem 500 cartilhas prontas. Elas serão distribuídas para o grupamento marítimo do Corpo de Bombeiros no Rio, a Capitania dos Portos e nos principais Iate Clubes e Marinas do litoral do estado. Liliane Lodi estará à disposição dos interessados para dar palestras sobre as francas. “Existe uma clara necessidade de se fazer uma campanha de educação ambiental sobre as baleias no Rio, porque é uma costa densamente habitada”, afirma Truda. “Quando baleia aparece no Rio em geral é um frenesi. As pessoas precisam aprender a manter distância para que possam aproveitar o espetáculo”.
A segunda missão do novo núcleo do Projeto Baleia Franca será a de replicar pela costa da região Sudeste a rede de monitoramento de baleias franca que o Projeto instalou em Santa Catarina e nas praias do norte do Rio Grande do Sul. “Mas isso ainda vai demorar. A meta agora é educar”, diz Gomes, admitindo sua esperança de que a divulgação de informações sobre as francas ajude também a fazer com que o freqüentador das praias fluminenses cuide melhor de sua orla marítima. “O reaparecimento das baleias aumenta também a nossa responsabilidade em relação à preservação da nossa costa”, diz. “Se ela se deteriorar, as francas vão procurar outro lugar para nadar”.
Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar
Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.
Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.
Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.
Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.
Leia também
PEC do Marco Temporal reacende reação de organizações indígenas no Congresso
Entidade indígena afirma que retomada da proposta contraria decisão do STF e pode ampliar conflitos fundiários no país →
Descoberta nas alturas: caranguejo é encontrado a mais de 1.700 metros de altitude
Descoberta da espécie de crustáceo revela, com ela, todo um novo gênero de caranguejos de água doce no Parque Nacional do Pico da Neblina, no Amazonas →
Força-tarefa desarticula pistas clandestinas do narcotráfico no interior do Amazonas
Estruturas usadas para transporte aéreo de drogas foram destruídas em Novo Airão, Careiro e Maués durante operação integrada de segurança →

