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Revolução inglesa do século XXI

Governo britânico decide permitir instalação de usinas de carvão se elas conseguirem capturar suas emissões. Indústrias e ambientalistas se alinham, mas medida ainda é vista como arriscada.

Salada Verde ·
24 de abril de 2009 · 18 anos atrás
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O governo britânico decidiu que só vai permitir a construção de novas usinas movidas a carvão se elas conseguirem capturar e enterrar pelo menos 25% dos gases de efeito estufa emitidos. E até 2050 este “seqüestro” deverá ser de 100%, mas a expectativa é de que as primeiras usinas só fiquem prontas em 2015. As emissões por queima de combustíveis fósseis, hoje a principal contribuição para o aquecimento global, serão encaminhadas para pontos estratégicos no fundo do mar, na costa leste da Inglaterra. Cada projeto deve custar cerca de um bilhão de libras esterlinas, algo como três bilhões e quinhentos mil reais, e os custos serão repassados aos consumidores de energia elétrica.  

Para o departamento de energia e mudanças climáticas do governo britânico, a medida pretende colocar o Reino Unido na liderança deste tipo de tecnologia. A atitude curiosamente colocou ambientalistas do mesmo lado da Confederação da Indústria Britânica, destacou diversos jornais, entre eles o The Guardian.

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O analista de meio ambiente da BBC, Roger Harrabin, publicou um artigo nesta sexta-feira ponderando o anúncio do governo sobre as novas usinas de carvão, lembrando que há muitos anos essa possibilidade vinha sendo desacreditada pelas autoridades. A tecnologia não é nova. Projetos parecidos já existem na Flórida, na Alemanha e até no deserto do Saara. Além dos custos elevados, que também preocupam, outra dor de cabeça pode vir se, por algum motivo, a captura de carbono não funcionar. Assim, as usinas a carvão podem arruinar as metas britânicas de redução de emissões. Outro fator pouco mencionado é que esse mecanismo nunca estará livre de emissões, e para que não haja redução de eficiência na produção, mais carvão será necessário, perpetuando a dependência em relação aos combustíveis fósseis.  

Harrabin ouviu um engenheiro que apontou a possibilidade de um consumo 50% maior de carvão para a mesma geração de energia, sendo que 75% do carvão usado na Inglaterra já é importado da China. O detalhe é que incentivar a produção chinesa de carvão não fica bem para um governo que quer ser visto como cada vez mais limpo. É por essas e outras que o Partido Verde inglês ainda se posiciona contra a medida, e insiste que investimentos em energia eólica, solar e na proteção do meio ambiente poderiam gerar os mesmos empregos que os britânicos tanto querem agora.

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