Carlos Minc enfrenta nos últimos dias uma saia mais do que justa na política, na qual se meteu com suas declarações bombásticas. Lula chegou a ligar para o ex-chefe de Minc, o governador Sérgio Cabral (RJ), reclamando da conduta pública de seu ex-secretário de Meio Ambiente.
Sem apoio de seus colegas ou do movimento ambientalista, partiu para uma linha de afagos ao núcleo duro do governo, apelando para acordos ilegais como o escambo e extinção da Floresta Nacional do Bom Futuro (RO) em nome da usina de Jirau, concessão de licenças parciais e formataçao de propostas para licenciamentos por área e não mais por empreendimentos. A hidrelétrica, aliás, ganhou hoje sua licença de instalação. O atropelo à lei é generalizado.
O Ministério Público Federal está com a faca e queijo na mão para acionar a Justiça, em mais um capítulo torto do escandaloso licenciamento do complexo de hidrelétricas do Rio Madeira. Os projetos são cercados por todo tipo de ilegalidade, a qual Lula e Dilma Roussef fazem vistas-grossas.
Minc vem trilhando um caminho de derrotas, na compensação ambiental, na Medida Provisória da Amazônia, assim como ocorreu nos momentos finais de Marina Silva, adicionado do baixo índice em criação de áreas protegidas. Seria apenas mais um capítulo trágico da política nacional, não fosse uma área tão vital para o futuro do país, ainda dominado por setores retrógrados, ultrapassados, em total falta de sintonia com o restante do planeta.
Curioso é ver um ministro de Meio Ambiente sendo frito em óleo quente enquanto seu colega Reinhold Stephanes (Agricultura), que publicamente prega o descumprimento da legislação, segue livre de críticas. Será que a legislação ambiental é só papel pintado no Brasil?
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