
Adivinhem! Fracassou a reunião desta semana de países ligados à Comissão Internacional para a Conservação dos Atuns Atlânticos (ICCAT, sigla em inglês). O evento aconteceu em Porto de Galinhas (PE) e levou à redução da cota anual de pesca do atum-azul de 19,5 mil para 13,5 mil toneladas. Mas na opinião de ambientalistas, o conjunto da obra foi um belo fiasco.
O WWF lembra que estudo apresentado em Recife mostrou que, mesmo com uma cota de 8.000 toneladas, seria de apenas 50% a chance de recuperação do peixe, até 2023. Outro estudo, da própria ICCAT, mostrou que só a proibição da pesca seria contundente para melhorar a condição da espécie e impedir restrições ao comércio, até 2019.
“O senso comum indica que uma proibição do comércio, apoiada por uma suspensão temporária da pesca, é o que faz falta para recuperar o atum do Atlântico. Acabar com a pesca é o que a ICCAT precisava fazer para salvar o atum — e também para salvar a reputação da Comissão”, disse Sergi Tudela, coordenador do Programa de Pesca do WWF/Mediterrâneo.
Além disso, nada foi decidido sobre a pesca criminosa de tubarões para remoção de barbatanas ou sobre a proteção das tartarugas e alabatrozes, comumente capturadas por “engano”. Outra reunião está marcada para março de 2010.
“O senso comum indica que uma proibição do comércio, apoiada por uma suspensão temporária da pesca, é o que faz falta para recuperar o atum do Atlântico. Acabar com a pesca é o que a ICCAT precisava fazer para salvar o atum — e também para salvar a reputação da Comissão. Este ano, todas as partes falaram na necessidade de restaurar a credibilidade da ICCAT. E para isso endossam a matança de mais 50.000 tubarões e 8.000 golfinhos, numa violação das resoluções da ONU? Não dá para acreditar! É mais uma prova da total disfunção da ICCAT como organização séria de manejo da pesca”, ressaltou Tudela.
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