Salada Verde

Maior reserva marinha

Governo britânico decreta proteção de área com quase o tamanho do estado da Bahia com as 65 ilhas Chagos, no Oceano Índico.

Salada Verde ·
7 de abril de 2010 · 16 anos atrás
Salada Verde
Sua porção fresquinha de informações sobre o meio ambiente
Amostra das belezas no arquipélago de Chagos. foto: Divulgação/WWW
Amostra das belezas no arquipélago de Chagos. foto: Divulgação/WWW

O estabelecimento de uma base militar americana na ilha de Diego Garcia, em 1967, resultou na exclusão da pesca e outros impactos humanos das ilhas, que hoje abrigam 220 espécies de corais, mais de mil espécies de peixes, além de populações saudáveis de aves e tartarugas marinhas e espécies exterminadas em outros locais, como o caranguejo-gigante-dos-coqueiros. Larvas de corais, peixes e crustáceos vindas das ilhas são consideradas importantes para repovoar recifes na costa da África e outras partes do Índico.

 

Chagos é um conhecido exemplo de “área protegida não intencional” resultante de ações militares, e de como a natureza vai muito melhor sem humanos no cenário. Veja aqui a posição das ilhas no Índico.

As ilhas tem uma história que faria socioambientalistas brasileiros terem pesadelos. Originalmente desabitadas, foram colonizadas no século 18 por trabalhadores de origem africana e do sul da Ìndia trazidos das ilhas Maurício para trabalhar nas plantações de coco, voltadas à produção de óleo e fibra para exportação. Em 1967, o governo britânico fechou a companhia que administrava as plantações e despovoou as ilhas através do expediente simples de negar o envio de suprimentos, levando os dois mil habitantes a voltarem às Maurício. A razão foi exatamente o estabelecimento da base de Diego Garcia.

Após uma batalha legal, os antigos habitantes receberam indenizações superiores a 4,5 milhões de libras e cidadania britânica, mas foi só em 2008 que as cortes britânicas chegaram à conclusão do processo, definindo que os mesmos não podem mais voltar a viver nas Chagos. No entanto, a briga continua na corte da União Européia, e há o temor de que o possível retorno dos habitantes resulte na abertura da área à pesca comercial e outros impactos. Por outro lado, entidades representando os exilados apoiaram a criação da área protegida.

Aqui no Brasil, onde unidades de conservação marinhas cobrem área ainda pífia, áreas sob controle militar poderiam cumprir essa função. Entre estas, estão as ilhas de Trindade e Martim Vaz, onde, infelizmente, a pesca comercial praticada por espinheleiros é praticada sem controle.

Leia também

Salada Verde
19 de janeiro de 2026

Após pressão da pesca de camarão, governo adia para 2027 entrada em vigor do PREPS

Criado há 20 anos, adesão ao Programa Nacional de Rastreamento de Embarcações Pesqueiras por Satélite ainda sofre adiamentos

Salada Verde
19 de janeiro de 2026

Mais dois filhotes! Onça-pintada aparece com novas crias no Parque Nacional do Iguaçu

Onça Janaína, monitorada desde 2018 pelo Projeto Onças do Iguaçu, é flagrada por armadilhas fotográficas com dois novos filhotes e chega a um total de cinco em sete anos

Colunas
19 de janeiro de 2026

Quem paga a conta do clima?

Reprodução de discursos coloniais silenciam os impactos desiguais causados pela crise climática; Estudo do Grupo de Pesquisa Jornalismo Ambiental analisa discursos sobre justiça climática

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.