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Fundo Clima amplia apoio à restauração florestal com financiamentos para Belterra e Suzano

Projetos somam R$ 350 milhões e abrangem a recuperação de mais de 27 mil hectares nos biomas Amazônia, Cerrado e Mata Atlântica

Karina Pinheiro ·
14 de outubro de 2025
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O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou duas operações voltadas à restauração florestal no Brasil, somando R$350 milhões em recursos do Fundo Clima. A Belterra Agroflorestas receberá R$100 milhões para expandir sistemas agroflorestais (SAFs) em 2,75 mil hectares de pastagens degradadas no Pará, Mato Grosso, Rondônia e Bahia. Já a Suzano terá financiamento de R$250 milhões, o maior já aprovado pelo fundo para florestas nativas para restaurar 24 mil hectares nos biomas Cerrado, Mata Atlântica e Amazônia, em áreas distribuídas por seis estados.

Segundo o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, os dois projetos exemplificam a estratégia do banco de impulsionar a restauração florestal como política de desenvolvimento sustentável e combate à crise climática. “Transformamos áreas degradadas em polos de floresta e alimento. A restauração ecológica é também uma oportunidade econômica para o Brasil”, afirmou. No caso da Belterra, o investimento total será de R$135 milhões, com previsão de sequestro de 850 mil toneladas de carbono até 2027. A iniciativa conta ainda com apoio do Fundo Vale e do Fundo de Biodiversidade da Amazônia (ABF), administrado pela gestora internacional Impact Earth.

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Já o projeto da Suzano, que prevê a regularização ambiental de mais de mil imóveis rurais em São Paulo, Bahia, Espírito Santo, Maranhão, Pará e Mato Grosso do Sul,  integra ações de reflorestamento com espécies nativas em áreas próprias e de parceiros, abrangendo 60% de imóveis de terceiros. 

Os dois financiamentos marcam um novo patamar para o Fundo Clima, que tem articulado projetos capazes de conciliar mitigação das mudanças climáticas, geração de renda e conservação da biodiversidade. No caso da Belterra, o modelo agroflorestal envolve pequenos e médios produtores, integrando cacau, banana e mandioca a espécies nativas, e já gerou reconhecimento internacional, como o Earthshot Prize e o Prêmio Empreendedor Social do Ano de 2024. Juntas, as operações indicam uma aposta do BNDES em soluções de uso sustentável da terra com impacto socioambiental direto. 

  • Karina Pinheiro

    Jornalista formada pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM), possui interesse na área científica e ambiental, com experiência na área há mais de 2 anos.

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