Salada Verde

Ongs ambientalistas solicitam ampliação do Parque Nacional de Abrolhos

Mais de quarenta entidades ligadas ao meio ambiente expressaram apoio pela ampliação da unidade de conservação. Ofício foi enviado ao Presidente do ICMBio, Paulo Carneiro

Sabrina Rodrigues ·
20 de agosto de 2018 · 6 anos atrás
Salada Verde
Sua porção fresquinha de informações sobre o meio ambiente
Parque Nacional Marinho de Abrolhos. Foto: Marcio Motta/Wikiparques.

Quarenta e três ONGs ambientais assinaram um ofício enviado ao presidente do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Paulo Carneiro, onde expressam apoio e solicitam a ampliação do Parque Nacional Marinho de Abrolhos.

No documento, as entidades signatárias justificam a importância da ampliação de Abrolhos:

A área proposta para ampliação abriga o maior banco de algas calcárias do mundo e as “buracas”, recifes profundos que são grandes buracos, de aproximadamente 20 metros de diâmetro que têm uma grande concentração de biodiversidade e de biomassa de peixes. Eles são considerados maternidade de uma série de espécies comerciais que habitam os recifes costeiros. Sua proteção é, portanto, fundamental à manutenção da pesca artesanal tradicional junto à costa, pois os peixes nascidos nas áreas protegidas deslocam-se para a mesma. Apesar da importância ecológica estes ambientes não têm nenhuma fração protegida”.

No ofício, o grupo lamenta a morosidade do processo e lembra ainda que a ampliação faz parte do compromisso assumido pelo Brasil junto à Convenção da Diversidade Biológica da ONU com a proteção de pelo menos 10% do bioma costeiro-marinho até 2020, que hoje é de apenas 1,5%.

 

Leia o ofício na íntegra

Ilmo. Sr.

Paulo Henrique Marostegan e Carneiro

Presidente do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade

Senhor Presidente,

As entidades e pessoas físicas, através deste documento, expressam a V.Sa. integral apoio à ampliação do Parque Nacional Marinho de Abrolhos, prevista há seis anos e cuja importância social, ambiental e econômica está fartamente justificada em termos técnicos.

A oposição à ampliação manifestada na reunião do conselho consultivo do parque, ocorrida em 24 de julho passado, reflete, infelizmente, a inaceitável defesa da prática predatória de exploração dos recursos naturais no país, sob o falacioso princípio de sua infinitude, e ignora princípios elementares de sustentabilidade de atividades econômicas dependentes da proteção de ambientes naturais.

Tal é o caso de Abrolhos. A área proposta para ampliação abriga o maior banco de algas calcárias do mundo e as “buracas”, recifes profundos que são grandes buracos, de aproximadamente 20 metros de diâmetro que têm uma grande concentração de biodiversidade e de biomassa de peixes. Eles são considerados maternidade de uma série de espécies comerciais que habitam os recifes costeiros. Sua proteção é, portanto, fundamental à manutenção da pesca artesanal tradicional  junto à costa, pois os peixes nascidos nas áreas protegidas deslocam-se para a mesma. Apesar da importância ecológica estes ambientes não têm nenhuma fração protegida.

A continuidade da pesca predatória com uso de arpão com suporte de oxigênio através de compressor tem diminuído a população de indivíduos adultos responsáveis pelo repovoamento. Os opositores à ampliação usam como escudo, a defesa dos pescadores artesanais, mas na verdade, defende seus interesses predatórios, ilegais e imediatistas.

Importante ressaltar, que a ampliação do parque não pode ser vista como uma luta entre setores da economia ou entre ecologistas e pescadores. Ao contrário, é uma luta de união por objetivos coincidentes, e medida crucial para proteger estas áreas chaves que garantem repovoamento de seu entorno.

Louvamos a declaração de V.Sa., de que o ICMBio respeita a pluralidade de ideias de todos os  cidadãos, mas que as informações técnicas disponíveis apontam o Arquipélago de Abrolhos e adjacências como áreas de grande importância ecológica e de alta sensibilidade, demandando medidas de conservação e de que a posição única do instituto é por sua ampliação,  cujas dimensões serão embasadas por estudos técnicos em curso, na esperança de que o processo de ampliação seja imediatamente retomado.

Sua demora está custando caro, tanto pelos impactos ambientais em geral na área proposta, com destaque para a caça a matrizes que habitam as águas profundas e pesca excessiva, poluição gerada pelo acidente da Samarco, com a lama e todos os rejeitos que vieram mais ao Sul, o avanço do óleo e gás, da mineração das algas calcárias, o avanço da carcinicultura, quanto pela desatualização dos estudos técnicos realizados no início do processo.

Segundo o instrutor de mergulhos e ativista ambiental Paulo Guilherme Pinguim, diversos impactos já são percebidos na região, tais como desaparecimento de peixes grandes como tubarões e outros grandes predadores, garoupas, badejos e meros. Para ele, estamos muito perto de um momento de falência daquela região, especialmente nos recifes costeiros, onde a maioria dos pescadores tradicionais tira o sustento das suas famílias.

A ampliação  justifica-se inclusive pelo compromisso assumido pelo Brasil junto à Convenção da Diversidade Biológica da ONU com a proteção de pelo menos 10% do bioma costeiro-marinho até 2020, que hoje é de apenas 1,5%.

Agradecemos sua cordial atenção.

AMMA – Associação Sócio ambiental de Apoio ao Meio Ambiente Sustentável (MG)

Apoena – Associação em Defesa do rio Paraná, Afluentes e Mata Ciliar (SP)

APREC Ecossistemas Costeiros de Niterói (RJ)

Aquasis – Associação de Pesquisa e Preservação de Ecossistemas Aquáticos (CE)

Associação Ambiental e Cultural Zeladoria do Planeta (MG)

Associação Ambientalista Copaíba (SP)

Associação Amigos de Iracambi (MG)

Associação Ecológica Força Verde (ES)

Associação Flora Brasil (BA)

Associação MarBrasil (PR)

Associação Mico-Leao-Dourado  (RJ)

Associação Mineira de Defesa do Ambiente – Amda (MG)

Colegiado Mar RBMA/ Grupo Conexão Abrolhos -Trindade (SP)

Crescente Fértil Meio Ambiente, cultura e Comunicação (RJ)

Ecoa – Ecologia e Ação (MS)

Fabiano Rodrigues  de Melo –professor da Universidade Federal de Viçosa – MG

Fundação Relictos (MG)

Fundação Rio Parnaíba –FURPA – PI

Gambá – Grupo Ambientalista da Bahia (BA)

Grupo Ambiental Natureza Bela (BA)

Grupo Natureza Bela de Itabela/Bahia (Costa do Descobrimento) (BA)

ING – Instituto Os Guardiões da Natureza (PR)

Iniciativa Verde (SP)

Instituto Auá  (SP)

Instituto Casa Branca (MG)

Instituto Floresta Viva (BA)

Instituto MIRA-SERRA (RS)

Instituto Socioambiental – Isa (SP)

IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas (SP)

MDPS – Movimento de Defesa de Porto Seguro (BA)

Movimento Pró Rio Todos os Santos e Mucuri (MG)

Muriqui Instituto de Biodiversidade – MIB (MG)

Núcleo Sócio Ambiental Araçá-piranga (RS)

ONG Vale Verde Associação de Defesa do Meio Ambiente (SP)

Projeto Baleia Jubarte (SC)

REAPI – Rede Ambiental do Piauí  (PI)

Rede Mosaicos de Áreas Protegidas – REMAP (SP)

Rede de Organizações Não Governamentais  da Mata Atlântica

Reserva da Biosfera da Mata Atlântica / Colegiado Mar RBMA/ Grupo Conexão Abrolhos -Trindade (SP)

SAVE Brasil (SP)

Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação (PR)

Sociedade Nordestina de Ecologia – SNE (PE)

 

  • Sabrina Rodrigues

    Repórter especializada na cobertura diária de política ambiental. Escreveu para o site ((o)) eco de 2015 a 2020.

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