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Pressão do agronegócio impossibilita recenseamento do IBGE em Mato Grosso

Situação foi revelada pela coluna de Míriam Leitão, em O Globo. Em ranking divulgado pelo Instituto nesta terça, estado ocupa último lugar no ranking de recenseamento

Michael Esquer ·
6 de dezembro de 2022 · 3 anos atrás
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O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) está enfrentando dificuldades para recensear o estado de Mato Grosso por conta da pressão do agronegócio. A situação foi revelada pela coluna da jornalista Míriam Leitão, em O Globo. De acordo com a publicação, até agora, apenas 40% da população estimada do território mato-grossense foi recenseada.

A coluna relata que o instituto tem encontrado dificuldades até mesmo para contratar recenseadores. A informação encontrada pelo IBGE ao tentar entender a situação é que fazendeiros estão impedindo o processo, revela a coluna. Segundo a jornalista, o problema ocorre em Sinop, Sorriso e Cáceres. Ainda segundo uma pessoa ouvida pela coluna na comissão do censo, as pessoas estão com medo de retaliação. 

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“Especialistas do instituto me dizem que, por exemplo, chega-se em cidades que querem contratar recenseadores, soltam edital, e as pessoas mais influentes da cidade e, muitas vezes, o próprio prefeito diz ‘aqui não vai ter censo’. Isso é uma reação ideológica causada pelo bolsonarismo”, diz trecho da coluna publicada nesta segunda-feira (5). 

Nesta terça-feira (6), o Instituto divulgou balanço sobre o censo no País. No ranking do IBGE, Mato Grosso aparece em último lugar com apenas 65,9% da população estimada recenseada.

((o))eco entrou em contato com o IBGE nesta segunda-feira (5) para questionar a ciência sobre a situação que envolve o recenseamento em Mato Grosso, assim como para saber se a dificuldade revelada pela coluna de O Globo compromete o censo no estado. Até esta terça-feira (6), porém, o Instituto ainda não tinha se manifestado e nem informado se planejava tomar alguma medida sobre o tema.

  • Michael Esquer

    Jornalista pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), com passagem pela Universidade Distrital Francisco José de Caldas, na Colômbia, tem interesse na temática socioambiental e direitos humanos

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