O bicho responde II

De Claudio Cisne CidFaz tempo que não lia algo tão deliciosamente irônico e ao mesmo tempo profundo... era exatamente o que nós chimpanzés precisávamos para refletir a respeito de nossa "supremacia" e a forma com o qual tratamos o planeta que nos abriga. O homem-macaco precisa reinventar-se, buscar em suas raízes aquilo que têm de melhor e curvar-se com humildade perante os avisos que a natureza emite. Como um burro de viseiras, o homem-macaco prefere "reinventar a roda" ao invés de aprender com aqueles que partilham conosco este planeta, lições estas que um dia, nossos ancestrais souberam de cor.

Por Redação ((o))eco
17 de janeiro de 2005

O bicho responde

De MarisaPessoal,Adorei a coluna de hoje (17.01) da Silvia Pilz. Aliás, tenho observado que ela foi uma excelente aquisição. Seus textos tem um humor e até um sarcasmo que nos tira da acomodação da leitura e nos envia a reflexão. Tenho gostado muito do que ela escreve. Parece que do mundo da publicidade também é possível descobrirmos vida inteligente, que aprofunda temas mesmo em textos curos como os que ela tem escrito. Assim é que se faz!!! Vamos valorizar o que há de bom no mercado. Um abraço,

Por Redação ((o))eco
17 de janeiro de 2005

Vias de escalada

De Pedro P. de Lima-e-SilvaEngenheiro Ambiental, PhDServiço de Segurança Radiológica e AmbientalComissão Nacional de Energia NuclearSenhor,Lendo sua coluna atual, encontro um elogio ao sistema de gestão de vias "informal" de escalada. No entanto, há um problema sério envolvendo extamente essa questão, e trata-se exatamente da violação dos próprios alpinstas, incentivados pela própria FEMERJ, de leis e princípios estabelecidos há muito pelos antigos alpinistas precursores do esporte no país.Essa ameaça vem da cabeça de jovens inconseqüentes que se acham os "donos da pedra" e passam a estabelecer regras próprias e efêmeras para todos.Uma conquista não é apenas um feito memorável, é a abertura de um caminho nunca dantes traçado, ou pelo menos registrado, e assim é um feito que faz parte da história, que entra no princípio da proteção de um patrimônio natural e cultural, porque é história que se está fazendo ao conquistar uma nova via. Essa história está sendo degradada e destruída pelos novos escladores em nome de uma modernidade absurda. Imagine que destruamos o teatro Municipal porque achamos agora sua arquitetura "antiga eultrapassada".Imagine que destruamos as escadas do imperador do Pico da Tijuca, porque aquilo é "artificial e não condizendo com os modernos estilos de ecscalada".A FEMERJ e seus escaladores "modernos", por exemplo, detonaram o totem dacaminhada do Costão do Pão-de-Açúcar, aumentando muito seu grau dedificuldade, para reduzir o fluxo de excursionistas subindo a pedra, porqueeles acham que havia muita gente subindo e que isso estava degradando oambiente local. Em vez de procurarem as autoridades e buscarem umaregulação e controle do ambiente do Pão-de-Açúcar, simplesmente atacaramcom pés-de-cabra a área, e inventaram um laudo da Geo-Rio [um deles que éalpinista é também da Geo-Rio] alegando que as pedras "poderiam cair".Pedras podem cair sempre, isso é uma piada de mal gosto. Geógrafos egeólogos podem atestar o que falo, incluindo um engenheiro aqui da CNEN,uma das maiores autoridades do mundo em estruturas sobre rocha. Eu e outrosque passamos por ali toda semana, notamos como as pedras estavam maissólidas do que nunca. Alpinistas "antigos", como eu e muitos de meus amigosficamos estupefactos como pode um grupelho violentar a pedra daquela formaem nome de uma modernidade questionável, infringir leis de defesa dopatrimônio --o Pão-de-Açúcar é protegido pelo IPHAN-- e destruir em nome daproteçao ambiental. Parecem o Bush fazendo a guerra em nome da paz.O Morro da Babilônia está com sua vegetação de encosta praticamente toda destruída, vá escalar lá para ver por si próprio. Só depois de quecompletamente destruído foi que os "ambientalistas escaladores modernos" resolveram criar esse suposto movimento, porque só funciona na teoria já que é uma terra-sem-lei.Infelizmente a realidade das montanhas, e principalmente dos "escaladores modernos" é muito pior do que aquilo que você sugere. Procure a verdade por trás das falácias, e verá que os alpinistas hoje são a mais séria ameaça às nossas montanhas. Eu vi isso na Europa há muitos anos, e pensei que jamais veria isso em toda a minha vida no meu país.Mas a arrogância nos alcançou, também nessa área, que era, de fato, um oásis de bom senso.abs,

Por Redação ((o))eco
14 de janeiro de 2005

Morcegos

De William Henrique StutzPresidente AAMLPrezados Senhores,Foi com satisfação que conhecemos o sítio de | O Eco |. Escrevemos para parabenizá-los e aproveitar para nos apresentar.Nossa "Ação Ambiental Morcego Livre" AAML (Projeto Morcego Livre), ONG ambiental com sede em Uberlândia - MG, tem por objetivo principal a preservação, defesa e desmistificação de nossos morcegos através de ações de educação ambiental e intervenção direta em situações de ameaça aos morcegos.A divulgação da importância dos morcegos para o ecossistema, para a recomposição e manutenção de TODOS nossos biomas através da polinização e dispersão de sementes, na agricultura (a ingestão de toneladas de insetos por noite reduz substancialmente o uso de venenos agrícolas), enfim, para a vida do planeta são os princípios básicos que regem nossa organização.Ficaríamos honrados se pudessem vistar nosso sítio. O endereço é http://www.morcegolivre.vet.br. No aguardo de futuros contatos, nos despedimos atenciosamente

Por Lorenzo Aldé
11 de janeiro de 2005

Resposta: BAESA

De Carlos Alberto Bezerra de MirandaBAESA – Energética Barra Grande S.A. - Diretor SuperintendenteA construção da hidrelétrica Barra Grande: apelo ao bom sensoA participação de investidores da iniciativa privada em empreendimentos que contribuam para o desenvolvimento do país é uma das atuais preocupações do governo brasileiro. A própria preocupação em viabilizar as Parcerias Público Privadas é uma prova disso. No setor energético, a atuação da iniciativa privada é fundamental, uma vez que o país conta com estes investimentos para a garantia do abastecimento de energia elétrica nos próximos anos.A BAESA, concessionária responsável pelo aproveitamento hidrelétrico de Barra Grande, tem conduzido a construção de uma usina hidrelétrica situada entre os estados de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul com muita seriedade e responsabilidade. A empresa está comprometida com ações nos âmbitos social e ambiental que vão além de suas reais obrigações junto à comunidade local, sempre primando pelo desenvolvimento dos municípios atingidos. Os fatos comprovam que o trabalho realizado em Barra Grande vai muito além da atuação de empreiteiros, termo usado por este site para classificar a BAESA em matéria publicada no dia 23.12.2004, assinada por Lorenzo Aldé. Na mesma matéria é dito que eu, Carlos Miranda, Diretor Superintendente da BAESA, havia afirmado possuir estudos de viabilidade técnica sobre o enchimento parcial do reservatório. Quero esclarecer que, em momento nenhum, reconheci a existência de estudos nossos sobre o enchimento parcial do reservatório. O que afirmei desde o início, e também durante toda a reunião tentativa de conciliação promovida pelo Exmo Sr. Desembargador Wladimir Freitas, Presidente do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, é que uma usina hidrelétrica é inteiramente projetada para operar com um determinado volume de água no reservatório, numa determinada altura de queda d’agua. As obras da barragem, no estágio em que se encontram, não possibilitam adaptações de forma a operar em cotas inferiores ao projeto de engenharia. Na verdade, a vegetação que se pretende preservar ocorre desde a cota do leito natural do rio até cotas bastante acima do nível final do reservatório.Se a operação da usina fosse realizada em uma cota inferior à projetada para o reservatório seria necessária a substituição total das máquinas de geração de energia elétrica, bem como o redimensionamento dos túneis de adução às máquinas, o que, do ponto de vista técnico é atualmente impossível. Operar com níveis inferiores ao projeto causaria problemas de operação nas turbinas, e enorme redução da produção da energia elétrica, inviabilizando técnica e economicamente o empreendimento . Em resumo, a Mata Atlântica de grande valor ambiental (araucárias inclusive), está em uma cota de alagamento tal que, para preservá-las, seria necessário demolir a usina já quase pronta e ali fazer uma PCH – Pequena Central Hidrelétrica, 30 vezes menor, em seu lugar. Essa opinião foi dada por engenheiros projetistas altamente especializados, consultados pela BAESA. Com base nesta informação, afirmei na citada reunião não ser necessário o dispêndio de tempo e recursos para a contratação de estudos que cheguem a essa conclusão. A BAESA assumiu uma série de compromissos para compensar o impacto que será causado ao meio ambiente. São ações de grande relevância, que contribuirão para melhorar ainda mais a preservação da Mata Atlântica existente no país. Tanto é verdade que, na própria citada reunião, consultados pelo Desembargador Wladimir Freitas, os ambientalistas presentes nada tiveram a acrescentar, ou a alterar, nas compensações ambientais já definidas pelo IBAMA e pelo MMA.Reconhecemos o valor da floresta que será alagada. Estamos conscientes do dano ambiental que será causado, embora menor que o alardeado pelos ambientalistas. As ONGs que entraram com ação civil contra Barra Grande parecem não ter compreendido plenamente as informações disponíveis sobre o real impacto ambiental causado pelo empreendimento. Sobrevoaram a região que dará origem ao lago da usina e concluíram que toda a vegetação do local será alagada, o que não é verdade. Não consideram nas fotografias e filmes mostrados a linha d’agua do rio Pelotas após o enchimento, induzindo ao erro de que tudo o que aparece será alagado.A Mata Atlântica de grande valor ambiental existe principalmente em apenas 5 (cinco) das 702 (setecentas e duas) propriedades adquiridas para formação do lago e área de preservação permanente. Todos na região sabem disso, assim como também sabem, desde o ano de 1988, que uma usina seria construída no local. O que nos causa estranheza é só agora terem as ONGs ambientalistas se manifestado a respeito, e não nas audiências públicas convocadas especificamente para tal fim.Estão acusando a BAESA indevidamente de fraude e nós não aceitamos essa hipótese.A BAESA venceu o leilão de concessão de Barra Grande após a conclusão do EIA/ RIMA realizado por terceiros, e solicitado pela ANEEL, e a licença ambiental prévia concedida. As araucárias, bem como a vegetação primária presente no local a ser alagado, foram descobertas somente quando a BAESA fez os estudos de mapeamento do uso e ocupação do solo, bem como o inventário florestal da região a ser desmatada. Este documento foi entregue ao IBAMA, que definiu uma série de ações compensatórias para a realização do corte de árvores. Todas as ações apresentadas foram assumidas pelas BAESA. Por conta da descoberta tardia de araucárias e mata primária na região, que reiteramos, nós informamos ao IBAMA, diversos e significativos ônus foram acrescentados ao empreendimento. É necessária uma análise ponderada deste assunto, para que não se corra o risco de que novos investimentos neste setor possam ser inibidos.Neste momento o dano passa a ser inevitável. O que precisa ser decidido é qual dano será causado. Ou é causado um prejuízo à parte das matas da região, ou não se finaliza o empreendimento. Se a usina não for terminada, será gerado um grande prejuízo aos empreendedores, dedutível do Imposto de Renda, que trará conseqüências à União e ao Brasil. Para preservar esta vegetação de grande valor ambiental a União terá um custo de, no mínimo, R$ 1 bilhão. Como estamos no país do FOME ZERO, retornemos todos ao bom senso.

Por Redação ((o))eco
3 de janeiro de 2005

Erro no artigo

De Allison IshyJornalista socioambiental - Rede AguapéNo artigo "Promotores Tipo Exportação", de autoria de Rafael Corrêa, o local correto do núcleo das promotorias do Pantanal é "Bacia do Alto Paraguai" (BAP), e não Bacia do Alto Uruguai, um absurdo, já que se trata do Pantanal e a Bacia do Alto Paraguai abrange toda a planície alagável pantaneira (nos Estados de MS e MT), além de regiões de planalto, não alagáveis, inclusive com parte da Bolívia e Paraguai (mas não Uruguai!).Acho ótimo estimular através da mídia iniciativas como esta, que também tem dialogado com os atores da comunicação socioambiental e educação ambiental no Pantanal, além de Ongs, redes, governos e pesquisadores.Abraços,

Por Redação ((o))eco
31 de dezembro de 2004

Bruaca

De Ney Emilio ClivatiHidreletrica de CorupáFinalmente estamos tornando a discussão sobre a pequena central hidreletrica algo tecnico e paramos com os "chutes" a esmo. A carta do Sr° Germano possibilita que possamos discutir com racionalidade o que a Aneel, o Ministerio da Minas e Energias e a Fatma determinam quanto à vazão de engolimento de uma PCH.A vazão de engolimento medio da PCH Bruaca é de 2,50 m“/s, o que não quer dizer que a usina estará retirando o tempo todo esta vazão. As PCHs se caracterizam por ter uma geração variavel. Podem estar gerando 12 MW em determinado momento como podem ficar paradas o dia inteiro. O que temos que nos conscientizar é que a geração média anual é de 8,50 MW, o que representa um engolimento de 2,50 m“/s. na média.Existe uma vazão minima regulada por lei, que a Aneel analisa, que a Fatma analisa e que a Agencia Nacional das Aguas analisa. Estes dados são para todo o Brasil, ou seja. Qualquer usina hidreletrica estará regulamentada por estas vazões minimas. Não somos da Corupá Energia que determinamos as vazões de engolimento e as vazões minimas sanitarias. Nós apenas cumprimos o que a legislação exige.Quanto ao retorno dos 28 milhões da obra que tanto preocupa o missivista podemos tranquiliza-lo. Se a usina der prejuizo nós que estamos fazendo o empreendimento é que arcaremos com o mesmo. O dinheiro do contribuinte não servirá para cobrir os possiveis rombos. O nosso patrimonio é que garantirá o empreendimento. Quanto à vazão sanitaria o senhor está corrreto. Só podemos retirar do rio 20% da vazão de estiagem. Quando não tivermos estas vazões a usina estará parada, sem geraçao.Quanto ao meu pequeno engano em relação às vazões, tenho a dizer que os dados das vazões são dados oficiais e não estamos enganando a Aneel ou qualquer outro orgão. Estamos usando dados do Governo Federal. Se alguem tem que ser acusado de falsificar ou burlar dados hidrologicos não somos nós. Tambem em nenhum momento eu disse que a vazão de estiagem é de 2,50 m“/s. , o que eu disse é que a vazão de engolimento médio é de 2,50 m“/s. O que é completamente diferente.O nosso levantamento hidrologico está correto. O Senhor Germano em nenhum momento citou as bacias de contribuição a que se refere. Nós temos todas as bacias de contribuição a jusante do nosso inventario. A bacia do Rio Novo, do Rio Correias, Do ribeirão Vermelho e do Bruaca. Com dados tão precisos que a Aneel confirmou o estudo hidrologico. Afirmar que vamos "secar" a cachoeira da Bruaca é agir imtempestivamente motivado pelo sentimento de ser contra. Os dados tecnicos não mentem. A Aneel não mente. A Fatma não mente. A ANA não mente. O Ministério das Minas e Energia não mente.Obrigado.

Por Redação ((o))eco
27 de dezembro de 2004

Hidrelétrica em Corupá – III

De Germano Woehl Jr.Instituto Rã-bugioGuaramirim, SCNa carta dirigida ao jornalista Marcos Sá Correa da Associação “O ECO” (publicada abaixo), o eng. Ney Emilio Clivati fornece evidências de que vão realmente secar a cachoeira da Bruaca (a única maneira de viabilizar o investimento de R$ 27 milhões).O eng. Ney Clivati comete um “pequeno engano” ao apresentar os números da vazão mínima (vazão em período de estiagem) e média, é um erro pequeno, que eu estimo ser por um fator de 10 a 15 vezes, só isso. Claro que no suposto pedido de licenciamento para a ANEEL foram fornecidos os dados corretos (da vazão do rio Bruacas), o que nos tranqüiliza, uma vez que o órgão só pode autorizar o empreendimento se for desviado no máximo 20% da vazão de estiagem (vazão mínima) do rio – e tão pouca água torna inviável um investimento de R$ 27 milhões. Em anexo está a planilha publicada em 1997, na pág. 79 do Atlas da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente (SDM), intitulado “Bacias Hidrográficas do Estado de Santa Catarina – Diagnóstico Geral”. Neste Atlas consta que para o rio Itapocu, em Corupá, a vazão de estiagem é de 3,05 m3/seg (metros cúbicos por segundo). Ora, o rio Bruacas é apenas um dos afluentes do Itapocu contribuindo com 10% a 20%, no máximo, do seu volume, e o eng. Ney Clivati diz que a vazão de estiagem do rio Bruaca é 2,5 m3/seg (acima da cachoeira)! Ou seja, ele quer que a comunidade acredite que o rio Bruacas contribui com 82% da água do Itapocu! Quem já passeou pela área rural de Corupá e observou os vários rios cortados pelas estradas deve facilmente perceber que o número informado não bate.Uma vazão (ou fluxo) de 3 m3/seg, significa uma coluna de água medindo 3x1x1 metros se deslocando num tempo de um segundo, que pode também ser imaginado como o volume (de água) contido em 3 caixas d´água de 1 mil litros cada, dispostas lado a lado, sendo derramadas em 1 segundo, num picar de olhos.Em Jaraguá do Sul, de acordo com o atlas da SDM, a vazão em período de estiagem do Itapocu é de 17,56 m3/seg, isso após receber a contribuição rio Ano Bom, Humbolt, Pedra D’Amolar, dentre outros. Vazão esta que representa a água contida em dezessete caixas e meia de 1000 litros derramadas em 1 segundo. É muita água, não é mesmo? Pois é, o sr. Ney Clivati afirma que a vazão MÉDIA (mensal) do rio Bruacas é de 19,26 m3/seg! Um outro exemplo: supondo uma piscina medindo 6x4x1,5 m, com capacidade para conter 30 m3 (30 mil litros) de água; agora, imaginem essa água sendo despejada durante um segundo, num piscar de olhos! Isso deve dar idéia do que significa a vazão MÉDIA (MENSAL!), de 19,26 m3/seg que eles estimaram para o rio Bruacas. É muita água para o rio Bruacas! Eu conheço bem o rio Bruacas e posso garantir que ele não tem essa vazão média - e nem a vazão mínima de 2,5 m3/seg -, de jeito nenhum, e não precisa ser especialista para verificar isso.

Por Redação ((o))eco
21 de dezembro de 2004

Hidrelétrica em Corupá – II

De Ney Emilio ClivatiA Marcos Sá CorrêaEditor do O EcoCaro Senhor, meu nome é Ney Emilio Clivati, eng. Civil, gerente e sócio da empresa Corupá Energia Ltda, empresa formada especificamente para estudar os aproveitamentos energéticos da região de Corupá.Temos a empresa atuando na região desde o ano de 2.000, com estudos de toda região.Inicialmente fizemos o inventário de toda a bacia do Rio Novo e seus afluentes, com ênfase nos potenciais hidráulicos.Este inventario foi aprovado pela Aneel. E está a disposição de toda a população para consulta, e serve de fonte de informação para todos interessados.Após o inventario foi iniciado o projeto básico do aproveitamento conhecido como PCH Bruaca.Este projeto básico (que ainda não é um projeto executivo) depende de uma serie de formalidades burocráticas, que são determinadas pelo Ministério das Minas e Energia e pela Aneel.Dentre destas formalidades está o estudo hidrológico da bacia, fizemos então o levantamento da hidrologia da região desde 1.929, para obtenção das vazões máximas, mínimas e medias. Estes dados estão disponíveis na Aneel, mas para facilitar estou apresentando a planilha de vazões mensais da bacia do rio Novo.É fácil comprovar que a vazão media é de 38,51 metros cúbicos por segundo, que a vazão máxima é de 194,70 m3/s. e que a mínima é de 2,50 m3/ s. Estas vazões são inconstantes porque a bacia de contribuição é muito pequena.Temos portanto uma vazão media de 38,51 m3/segundo para uma bacia de 169 km2 (ver tabela), como a bacia de contribuição do afluente Bruaca é de 80 km2, basta dividir por dois para que tenhamos a media mensal de vazão do rio. Numero este de 19,26 m3/s. Fiz todos estes cálculos para concluir da seguinte maneira. Temos de engolimento pela PCH a media de 2,50 m3/s, para gerar um total médio de 8500 KW, o que representa um porcentual de 13% da vazão media do rio. Ou seja, a cachoeira da Bruaca será diminuída em media 13% do seu volume de água, e não 17% como afirmastes em artigo publicado em jornal local.O fato de ser uma ninharia para tanta cachoeira é justamente porque a vazão de engolimento tem que ser pequena para que a cachoeira continue com sua beleza, não considero uma ofensa dizeres que 15.000.000,00 (quinze milhões de watts) de potencia instalada sejam uma ninharia, sou um defensor de pequenas centrais hidreletricas, cujo impacto ambiental é muito menor que as grandes centrais. É lógico que quanto maior a capacidade de geração, maior o lago, maior o impacto. A busca pelo ponto ideal de geração e impacto ambiental é uma discussão interminável.Continuando.Escreveste que nós vamos desmatar 3.000 metros quadrados da montanha.Este dado é totalmente irreal, nós não vamos desmatar nenhuma parte da montanha, mesmo porque a obra será executada com um túnel adutor que será embocado na cota 790 e desembocará na cota 280 acima do nível do mar. O que vamos sim fazer é criar uma barragem de 6,00 (seis) metros de altura, mais ou menos a altura de um sobrado, para que a água (2,50 m3/s) possa ser desviada por meio de um túnel até a cota 280. Esta barragem vai alagar o equivalente a 0,45 hectares, ou seja 4.500 metros quadrados, o que representa a metade de um campo de futebol, que tem em media 75,00 por 110,00 metros.A área a ser alagada sofreu influencia antrópica e está em recuperação. Vamos reflorestar com mata nativa o seu entorno legal, melhorando o meio ambiente da região.A montanha não sofrerá nenhum tipo de agressão, mesmo porque uma das características dos túneis é ficarem em baixo da terra. Ou seja, quem passar pelos locais de interferência não verá nada, não saberá nem que o túnel existe. E a mata atlântica não terá nenhuma arvore arrancada nas encostas da Serra do Mar.Cravará em suas costas 2.280 metros de tubulações com 3,3 metros de circunferência, removendo para isso 24 mil metros cúbicos de basalto em encostas intatas.De onde o senhor tirou tal dedução eu não sei, acho que foi de uma entrevista que eu dei para o jornal Absoluto. Acho que o senhor interpretou mal o que foi escrito pelo jornalista.Mas posso afirmar o seguinte.Não haverá nenhuma tubulação cravada nas costas, mesmo porque como expliquei acima, o processo construtivo é em forma de túnel, que passará por debaixo da mata atlântica, saindo de uma região 02 quilômetros a montante da cachoeira, região esta já totalmente devastada e agora em fase de recuperação. E não por cima, as encostas permanecerão virgens e exatamente como estão agora. O desemboque se dará numa plantação de bananas, que o senhor pode comprovar sobem até a cota 500 metros acima do nível do mar.Também não removeremos basalto das encostas. Mesmo porque é impossível remover basalto de uma região em que ele não existe, teríamos que nos deslocar mais de 400 km para o interior do Estado (onde existem) para remover basalto (proveniente sempre de errupções), a rocha que será removida é granito rosa, formação Campo Alegre.Esta remoção de rocha é proveniente da escavação do túnel, e não será das encostas, se tivéssemos que remover ou que mexer nas encostas, com certeza o projeto seria abortado.Afirmo: se tivermos que mexer nas encostas, nós da Corupá Energia abortaremos todo o projeto. O principio básico deste projeto foi o de que não mexeríamos em nenhuma arvore ou relevo da Serra do Mar. Por isto a opção pelo túnel, que representa o maior porcentual de gastos para nós. Seria mais barato cravar uma tubulação nas costas da Serra do Mar, mas a opção foi pela solução de menor impacto.Fará uma barragem de seis metros de altura, inundando 4,5 hectares do planalto. E rasgará uma ferida difícil de cicatrizar num parque natural de 100 hectares, que aliás está a seu lado quase por milagre.A barragem não inundará 4,5 h a e sim 0,45 h a . Pode ser erro de digitação, mas para a comunidade isto representa o céu e o inferno. O parque só está ao seu lado porque a região é inacessível para seres humanos até pouco tempo, e não foi possível para os madeireiros e bananeiros retirar as arvores e plantar depois suas bananas.Não entendo que ferida é está que abriremos, estava o senhor se referindo ao túnel?Ou estava dubiamente alegando que abriremos um rasgo no meio do parque ecológico?Esta dupla interpretação só vem em prejuízo da discussão dos reais impactos do empreendimento. Criando expectativas negativas a nossa pessoa e ao nosso trabalho, colocando na vala comum de aproveitadores, pessoas que trabalharam durante 4 anos em um projeto sério e honesto e que visa o desenvolvimento sustentado da região.O Parque Ecológico receberá o retorno ambiental da usina e poderá livremente decidir o que fazer com este retorno. Poderá implementar políticas ambientais na área do parque, poderá trabalhar para que os bananicultores preservem o que ainda resta da mata, fazendo trabalhos de conscientização para que preservem o ainda existente e não expandam mais suas atividades.Poderíamos não direcionar este retorno para um parque já existente, e criarmos a nossa própria reserva ambiental. Aí poderíamos fazer uma serie de folhetos de propaganda dizendo que nós estamos trabalhando em conjunto com a natureza, etc e tal. Mas será que é isto que interessa para a municipalidade? Ou interessa que as pessoas e empresas trabalhem em harmonia, sem estrelismo, fazendo o melhor que tem que ser feito.O terreno pertence à Batistella. Ou seja, a uma madeireiraQuem divulgou que o terreno pertence a Battistella estava equivocado. Os terrenos que serão implantados a PCH pertencem a vários proprietários, mas nenhuma fatia por mínima que seja pertence à Mobasa. O Parque, este sim é da Mobasa, e que cedeu em regime de comodato para a Pref.Municipal de Corupá, que cedeu a administração para uma ONG, que administra todo parque, inclusive a visitação.Não sei qual a intenção de dizer o que foi dito acima. Ficou novamente dúbio. Parece que a usina está em terras da Batistella, quando na realidade está fora do Parque. Para confundir talvez?Reconhecemos o valor do Parque, e por isto mesmo direcionamos o retorno ambiental para ele. Para que possa melhorar, trazer mais turistas, ter cursos de meio ambiente, que possa ser autônomo, sem depender de prefeitura ou de empresas privadas. Gostaríamos de ver o Parque como exemplo de turismo internacional. Trazendo não só 90 alemães por ano, mas sim um número suficientemente grande para viabilizá-lo economicamente o ano todo.Mas, de três meses para cá, quem anda muito por ali dentro é a vanguarda dos engenheiros, sondando com instrumentos de medição o caminho para a obra.Fazem 03 anos que a topografia foi concluída, fazem 12 meses que a arqueologia foi feita, também 12 meses que o inventario florístico foi completado. Não realizamos trabalho de campo nenhum nestes três últimos meses que exigiu retirada de vegetação. Se alguém está sondando e medindo não somos nós. O que fizemos nestes últimos meses foi verificar os marcos de GPS, que não implicam em abertura de nenhuma vala ou clareiraO bom é que a região passará a ter reserva técnica para situações de blecaute”,Esta afirmação nunca foi dita por mim, mesmo porque eu como técnico sei que a energia vai para o sistema como um todo, sendo impossível determinar se servirá para impedir blecautes na região.Corupá bem que mereceria ser tratada com mais respeito.Com isto o senhor determinou que nós estamos tratando Corupá com desrespeito, criado um sentimento de aversão a qualquer ato de nossa parte. Nós somos os bandidos que estamos devastando, desrespeitando toda a comunidade, desrespeitando o cidadão que planta sua banana até a cota 500 acima do nível do mar. Desrespeitando o Conama, a Fatma, a Aneel, o Ministério das Minas e Energia, os fiscais da Fatma, a câmara de vereadores, o poder publico (que é favorável), o Consorcio Quiriri. Os arqueólogos que trabalharam no local, os geólogos, os engenheiros florestais, os biólogos da ictiologia, os biólogos da fauna, flora, enfim nós que trabalhamos no projeto, fazendo o maior levantamento de dados que aquela região já teve, estamos desrespeitando Corupá.Corupá merece mais respeito.A Corupá energia é o ente do mal e eu sou o salvador. É isto?Neufluss é Rio Novo, matriz da primeira hidrelética que funcionou no município.Sim é isto que queremos resgatar, o conceito que Corupá tem um perfil topográfico que possibilita aproveitar ecologicamente seus recursos. Trazendo benefícios para toda população.E pôs uma usina doméstica sob a queda d’água, para alimentar o bar com eletricidadeO que o cidadão fez nada mais é do que uma micro usina, que não depende de outorga da Aneel, se ela fosse um pouco maior ele cairia no mesmo caso que o nosso. Quer dizer o cidadão é um exemplo a ser seguido. Abrir em cada cachoeira de Corupá uma micro usina para visitação. Enquanto isto nós estamos desrespeitando Corupá.Mas para isso não há incentivos fiscais nem dinheiro fácil do governo brasileiro. Ou seja, para gente como Faust não é muito difícil achar um programa tipo PCH que se pudesse traduzir como “Pequeno Centro do Habitat”, para transformar em negócio a conservação da natureza brasileiraDinheiro fácil? ..................................................Onde?Será que estou no mesmo país em que lia as colunas do senhor na Veja, ou estou delirando?Juros de 17,25% com todas as garantias reais, mais TJLP, sendo que o órgão repassador ficará com 2%, e os riscos de projeto tem que ser bancados pelos investidores.Gostaria de saber onde existe este dinheiro fácil, esta informação, acho que está restrita ao eixo Rio – São Paulo, porque aqui no pequeno mundo esta informação ainda não chegou.Qual incentivo fiscal? Por favor preciso desta informação para que eu possa usá-la, já que todos os custos são nossos, pessoais, declarados em imposto renda.Qual incentivo fiscal? Estou tentando lembrar. Será que é o incentivo para que nós façamos todo inventario e projeto básico sem ter nenhuma garantia real de que seremos nós que faremos a obra, e nem seremos ressarcidos dos custos de levantamentos e estudos, sendo que ainda estes dados estarão disponíveis para toda comunidade.Será que é incentivo para que nós cadastremos toda fauna, flora, arqueologia, hidrologia, interferência antrópica, interferência econômica, e ainda tornemos isto publico, sem ter nada em troca?Ou será que o senhor está se referindo ao preço da energia que será comercializada?Na Europa, as PCHs recebem o chamado selo verde, sendo que em caso de excesso de geração, desliga-se primeiro as térmicas para depois desligar as PCHs, porisso tem preços diferenciados, mesmo porque não conseguem competir com as hidrelétricas maiores. Entendi pelo seu artigo que o choque de desenvolvimento é a propriedade do senhor Evald, com sua micro usina e com seu turismo ecológico.Não quero acreditar que é isto que o senhor pensa de modelo de desenvolvimento para o Brasil, não pode ser que tão conceituado articulista tenha em mente que o melhor para a região de Corupá é a propriedade do senhor Evald. Se assim fosse todas as propriedades seriam transformadas em passeios ecológicos e os turistas aflorariam em profusão, é isto mesmo? Vou citar somente para comentar o que acontece na cidade de Abelardo Luz em Santa Catarina, onde se localiza uma da mais espetaculares quedas d’agua do Rio Chapecó, com uma altura de 100 metros, todo o Rio despenca em duas quedas cinematográficas, a menos de 200 metros da estrada que vai para o Paraná. Para melhor aproveitar o cenário a prefeitura elaborou um grande projeto de condomínio fechado com um hotel de nível internacional, um conjunto de casas de veraneio e de moradia de alto luxo e mais ainda um complexo de visitação com trilhas, piscinas, eco turismo, etc,etc, etc. Como sou um interessado no assunto turismo ecológico fui visitar as quedas.Belíssimas.Mas...........Para almoçar tive que pedir um ovo frito no boteco da beira da estrada. Para visitar as quedas tive que me deslocar por meio de vielas cheias de lixo, com cheiro de urina.O hotel está as moscas, o condomínio não vingou, a portaria está abandonada, os sem terras invadiram parte do parque.Visitei o prefeito e disse a ele que se tivesse uma usina hidrelétrica usando 40% da água do rio, o retorno ambiental e de ICMS para a prefeitura seria da ordem de R$ 5.000.000,00 (cinco milhões) por ano. Sabe qual a resposta do mandatário?Com este dinheiro o município resolveria o problema dos sem tetos e ajudaria os sem terras, que são o maior problema da região, sempre com conflitos que resultam em morte.O que fazer? NADA. O parque está criado, e não existe caso (que eu conheça) de um ex-parque.Para concluir.Nós da Corupá temos como preocupação inicial não fazer nenhuma agressão ao meio ambiente, a nossa usina, de todas que tenho conhecimento, é a de menor impacto ambiental, tenho certeza que se o senhor conhecesse o projeto e o local de implantação, a sua opinião sofreria real mudança.Não é possível que uma usina que tem 0,45 h a de alagamento, que não vai retirar nenhuma arvore de preservação, que possibilitara a autonomia ao Parque Ecológico, que aumentará o retorno de ICMS do município em 15%, que injetará 28 milhões de reais no município seja considerada um desrespeito ao município.O nosso trabalho é serio, não ficamos 4 anos estudando, para sermos tratados como seres inferiores que só pensam em destruir. O nosso pensamento é o de evoluir, não retroceder ao tempo do extrativismo. Somente o progresso pode trazer melhoria ambiental, o retrocesso causa bananas na cota 500. O empobrecimento da população é que causou a devastação nas encostas, não foi outra causa. O progresso motiva as pessoas a cuidar do meio ambiente, o antropismo da região é que determinou seu atual estagio de coisas, se não levarmos o progresso, e com isto o retorno financeiro para a população, ela fará da maneira que achar melhor para sua sobrevivência. Os palmitos já não existem na região, as araucárias sumiram, não existe nenhuma – repito – não existe nenhuma araucária na parte de montante da usina, (a jusante elas não se desenvolvem por causa da altitude), na parte do alagamento o que mais existe são bambus (muitos, muitos) representando mata que foi retirada.Somos pequenos empresários da região, não somos suíços ricos que com dor na consciência investem em projetos de meio ambiente no terceiro mundo, estamos tentando trabalhar em prol do desenvolvimento sustentado da região. Enquanto isso o senhor nos acusa sem nos ouvir. Eu não o conheço e nunca conversei com o senhor. Seu artigo foi publicado com a maior impunidade do mundo, do alto da sua sabedoria. O senhor não me ouviu, o senhor não me procurou para saber da realidade. Pergunto.Será que o senhor foi ético?Será que o senhor não agiu de má fé?Ou foi apenas arrogância?Eu sou o errado, o que está afrontando a cidade e o senhor que não me procurou e não quis saber da realidade é o ético e o salvador da ecologia e da mata? E isto? E se por um acaso eu estiver com a razão e a hidrelétrica for um bem para a comunidade? Quem vai pagar o meu desgaste perante a sociedade?Gostaria de convidar o senhor para visitar a usina, estarei a disposição, podes marcar a data, sendo que a visita tem que iniciar na parte da manhã para irmos até a barragem, com um passeio ecológico no meio dos pinus muito interessante. Depois almoçamos no melhor restaurante de Corupá (o único) e depois vamos até o desemboque. É necessário tanto tempo porque a parte de montante não tem ligação com a parte de jusante e temos que dar uma grande volta de 50 km.No aguardo de resposta.

Por Lorenzo Aldé
21 de dezembro de 2004

Hidrelétrica em Corupá

De Margaret Klug HahnQuero parabenizá-los pela reportagem que li no Jornal Absoluto - Edição 14/12/04 em defesa da nossa cachoeira que há tantos anos faz parte do Cartão Postal da cidade de Corupá e também sempre que me chama a atenção quando entro na cidade. Estou muito sensibilizada e desde ontem venho tentando achar um meio de evitar este desastre ecológico que ronda a nossa querida cachoeira Broaca.Gostaría de oferecer no que for possível a minha ajuda para que isto não aconteça. Sou defensora da natureza e estou muito triste que pessoas só pensam em tirar proveito do progresso destruíndo o que há de mais bonito.Atenciosamente,

Por Redação ((o))eco
14 de dezembro de 2004