Na última sexta-feira (3), o Zoológico de São Paulo inaugurou um Centro de Conservação para ararinha-azul. Construído exclusivamente para a espécie, o centro conta com salas de incubação de ovos, “maternidade” com controle de temperatura e iluminação e sala para atendimento veterinário, além de ambientes cobertos e ao ar livre com capacidade de abrigar até 44 ararinhas. O objetivo do espaço é garantir os cuidados e bem-estar das aves que estão em cativeiro e promover a reprodução da espécie, para que novos indivíduos possam ser soltos na natureza.
A ararinha-azul (Cyanopsitta spixii) foi extinta na natureza nos anos 2000 e só não teve a extinção como destino final graças aos animais mantidos em diferentes instituições mundo afora. Desde 2020, uma iniciativa trabalha para devolver a espécie à Caatinga e ao sertão baiano, seu habitat natural, através da reintrodução de ararinhas-azuis oriundas do cativeiro.
Atualmente, a população ex situ, ou seja, fora do ambiente natural da espécie, conta com 334 indivíduos, 85 deles em instituições e zoológicos brasileiros.
Apenas no Zoo de SP estão 27 delas. Sendo seis casais – um dos quais recém-formados – e outros 15 jovens que ainda não deram início a sua vida sexual.
A vinda das ararinhas ao zoológico, um pedido do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Aves Silvestres (CEMAVE/ICMBio), foi o que levou à criação do centro de conservação, explica a bióloga responsável pelo setor de aves do zoológico, Fernanda Vaz Guida. “O CEMAVE nos procurou a fim de verificar se poderíamos abrigar temporariamente alguns indivíduos. Foi então que tomamos a decisão de não só atender este pedido de abrigo, mas criar um centro para manutenção e reprodução da espécie para trabalhar com elas a longo prazo”, conta a bióloga.
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