Produtores rurais de Apuí, município com o segundo maior rebanho de gado do estado e apontado como o quarto que mais desmata no Amazonas, poderão reflorestar áreas desmatadas em suas propriedades. Basta boa vontade. Isso porque o Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável do Amazonas (Idesam) fechou parceria com a prefeitura de lá para implementar o projeto Apuí Mais Verde, lançado no último final de semana.
O projeto prevê mecanismos de incentivo técnico e econômico para convencer produtores a reflorestarem suas áreas degradadas, usando como lógica a compensação pelos ganhos ambientais do reflorestamento. Desde 2007, o Idesam busca implementar trabalhos como este no município amazonense. No entanto, segundo Mariano Cemano, diretor-executivo do Instituto, até a mudança na direção municipal, o Idesam não conseguia acesso à prefeitura, quanto mais às associações de pecuaristas, voltados exclusivamente para benefício das práticas de criação de gado.
Além disso, havia o entrave da irregularidade fundiária que, de acordo com Cemano, atinge a maioria das fazendas de Apuí, que somam no mínimo 2.500 propriedades rurais. Por isso, o projeto está atrelado a outra iniciativa do Idesam, o Pacto pelo Desmatamento Zero e Uso Sustentável das Florestas no município. “A idéia é que o Apuí Mais Verde sirva de gatilho para dispararmos esse projeto maior, que prevê também a regularização fundiária”, explica Cemano.
Para participar do programa, os produtores interessados deverão se cadastrar na Secretaria Municipal de Meio Ambiente até 30 de julho. Depois, as propriedades serão vistoriadas e mapeadas para verificar se realmente estão aptas a participar do projeto.
A meta inicial é reflorestar 1.500 hectares com espécies nativas, como jatobá, ipê e castanha, até o fim do ano que vem. Além de fornecer mudas, adubo e assistência técnica para o plantio e manutenção dos reflorestamentos, o projeto prevê o pagamento anual de R$ 80,00 por hectare reflorestado. O valor foi acordado em oficinas com produtores e entidades ligadas à produção rural. Atualmente, a pecuária gera renda de 60 reais por hectare ao ano no município.
Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar
Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.
Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.
Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.
Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.
Leia também
Mata Atlântica tem menor desmatamento em 40 anos, mas flexibilização ambiental ameaça avanço
Bioma registra queda histórica no desmatamento, enquanto mudanças na legislação ambiental levantam alertas sobre a manutenção desse resultado →
Conselho Monetário Nacional adia exigência ambiental para concessão de crédito rural
Mudança posterga a checagem obrigatória de áreas desmatadas verificadas pelo Prodes; Propriedades menores terão mais tempo para se adequar →
Mais do que um exemplo, em busca de inspiração para as ciências do oceano
Nenhum artigo que já publicamos se tornou mais importante do que o sentimento de compartilhar as conquistas e os desafios com a rede de mulheres com quem sempre tivemos a sorte de trabalhar →

