A Mata Atlântica registrou, em 2025, a menor taxa de desmatamento desde o início do monitoramento histórico do bioma, um recuo celebrado por organizações ambientais como sinal de que políticas de fiscalização ainda produzem efeito. De acordo com o levantamento realizado pelo SOS Mata Atlântica, em parceria com o INPE, MapBiomas e Arcplan, divulgado nesta quarta-feira (13), dois dos principais sistemas de monitoramento do bioma apresentaram, em 2025, os melhores resultados de suas respectivas séries históricas
Segundo dados do Sistema de Alertas de Desmatamento (SAD) Mata Atlântica, a supressão vegetal caiu 28% em relação ao período anterior, passando de 53,3 mil para 38,3 mil hectares. Já o Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica, que monitora florestas maduras desde 1985, apontou redução ainda mais expressiva: 40%, com a derrubada recuando para 8,6 mil hectares, a primeira vez em quatro décadas que o desmatamento anual ficou abaixo de 10 mil hectares. Apesar da desaceleração, a destruição segue concentrada em poucos estados. Bahia, Minas Gerais, Piauí e Mato Grosso do Sul responderam por 89% da área total desmatada no bioma, majoritariamente convertida para agropecuária.
Entretanto, a leitura dos números exige cautela, segundo a organização. A redução não significa o fim da pressão sobre o bioma. Bahia, Minas Gerais, Piauí e Mato Grosso do Sul concentraram 89% de toda a área desmatada no período, com 96% da vegetação convertida para uso agropecuário, grande parte com indícios de irregularidade, segundo o levantamento. O retrato reforça um padrão recorrente: a devastação recua onde há fiscalização e restrição econômica, mas segue avançando nas fronteiras de expansão produtiva.
“Políticas públicas e instrumentos de controle ambiental funcionam quando são aplicados com seriedade. A celebração, no entanto, precisa vir acompanhada de vigilância. O desmatamento continua acontecendo e, na Mata Atlântica, cada fragmento perdido faz diferença. O desafio é manter essa trajetória até zerarmos o desmatamento”, ressalta Luís Fernando Guedes Pinto, diretor executivo da SOS Mata Atlântica.
O cenário ganha contornos mais preocupantes diante das recentes alterações no marco do licenciamento ambiental. As mudanças aprovadas pelo Congresso retiram camadas de controle sobre autorizações para supressão vegetal, inclusive em áreas sensíveis da Mata Atlântica, transferindo decisões para instâncias locais que frequentemente operam com baixa capacidade técnica.
“É uma distorção que leva o Brasil na contramão do Acordo de Paris e potencializa tragédias climáticas. Os números apontam que o desmatamento cai quando a lei é aplicada com rigor e critérios técnicos. Enfraquecer os instrumentos de proteção agora é arriscar o que levamos anos construindo”, afirma Malu Ribeiro, diretora de políticas públicas da SOS Mata Atlântica.
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