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O Eco+ | Edição #283 | março/2026

O Eco+ | Edição #283 | março/2026

15 de março de 2026

Mais de 50 países já avançaram na descarbonização do setor energético, segundo estudo de organizações internacionais: 46 têm políticas para reduzir a dependência de combustíveis fósseis e outros 11 planejam limitar a oferta. O debate, mostra Cristiane Prizibisczki, tem ganhado força após a COP30, enquanto tensões no Oriente Médio e o fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã elevaram o preço do petróleo. A publicação do estudo acontece a pouco mais de um mês da 1ª Conferência Internacional  sobre a Transição para Longe dos Combustíveis Fósseis, promovida por Colômbia e Holanda, e que está programada para acontecer em Santa Marta, na Colômbia, na última semana de abril.

O desmatamento da Amazônia não afeta apenas a biodiversidade e o clima global: também pesa diretamente no bolso dos brasileiros. Um estudo da Rede de Pesquisa e Produtividade (Rede PP&S) estima que a perda de floresta nas últimas quatro décadas elevou em mais de US$ 1 bilhão por ano o custo da eletricidade no país. Isso ocorre porque a matriz elétrica brasileira depende fortemente da geração hidrelétrica e cerca de metade dessa produção está ligada ao regime de chuvas influenciado pela floresta. Por meio da evapotranspiração, explicam os colunistas Alexandre Mansur e Desirêe F. Galvão, a Amazônia libera grandes volumes de vapor d’água que formam os chamados “rios voadores”, responsáveis por levar umidade para o Centro-Oeste, Sudeste e Sul, regiões onde estão importantes bacias hidrográficas e usinas hidrelétricas. Quando o desmatamento reduz a cobertura florestal, esse sistema perde força, diminuindo as chuvas em áreas estratégicas para a geração de energia. 

A saída de grandes empresas da Moratória da Soja reacendeu o debate sobre o avanço da cultura sobre áreas da Amazônia. Criado em 2006 por tradings e organizações da sociedade civil, o acordo estabelecia que empresas não comprariam soja cultivada em áreas desmatadas após 2008, ajudando a conter a expansão da lavoura sobre florestas recém-derrubadas. No entanto, a saída de empresas representadas pela Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais, em meio a disputas jurídicas envolvendo o Conselho Administrativo de Defesa Econômica, o Supremo Tribunal Federal e mudanças legais como a lei estadual aprovada em Mato Grosso, pode enfraquecer o compromisso e reduzir a pressão do mercado contra o desmatamento ligado à cadeia da soja, reporta a jornalista Karina Pinheiro, em ((o))eco. O estudo de pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais, do Instituto Centro de Vida e da Trase indica que o fim do acordo pode colocar mais de 13 milhões de hectares de vegetação nativa em risco de conversão agrícola na Amazônia. Desde sua criação, a Moratória vinha monitorando o desmatamento e bloqueando propriedades que abrissem novas áreas para plantio, mecanismo que ajudou a limitar a associação direta entre a expansão da soja e a derrubada de florestas – apenas 4% das novas áreas cultivadas entre 2008 e 2024 foram ligadas diretamente à conversão de vegetação nativa.

Boa leitura!

Redação ((o))eco

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Conectando vida. Este mês, autoridades do Equador anunciaram um corredor de biodiversidade de 2.159 quilômetros quadrados, conectando o Parque Nacional Llanganates à Reserva da Biosfera Yasuní. O Corredor é único porque permite a “conectividade altitudinal” entre as altas montanhas dos Andes e a Floresta Amazônica, em baixas altitudes. O mecanismo faz parte de uma iniciativa maior para fortalecer a conectividade ecológica e proteger a biodiversidade nesta zona de transição vital para a adaptação das espécies à medida que as mudanças climáticas e a pressão humana remodelam os habitats. [Mongabay]

Novo no pedaço. Existem apenas cerca de 1.300 gêneros de mamíferos vivos em todo o mundo. Criar um novo gênero é um evento raro e um verdadeiro privilégio. E foi exatamente isso que os cientistas acabaram de fazer: descrever um novo gênero de um pequeno gambá planador na Papua Indonésia. E essa história começou com apenas uma fotografia… [The Conversation]

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Arrabalde: Em busca da Amazônia | João Moreira Salles

Panorama do maior bioma nacional, Arrabalde mistura relatos, entrevistas e pesquisas para retratar as variadas percepções da Amazônia por aqueles que se relacionam com ela num volume que atua em sua ampla defesa. Resultado da estadia de seis meses de Moreira Salles no Pará e tributário da literatura de viagens, Arrabalde nos convida a olhar atentamente para a floresta, em sua complexidade biológica e social, em sua desordem natural e potente, que alarmou a mentalidade racional de tantos homens que lá tentaram fazer empresa. Caleidoscópio das relações dos brasileiros com a Amazônia, este volume é uma defesa contundente de nosso maior patrimônio ambiental e um ensaio sobre seu presente e suas possibilidades de futuro.

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Foi acabar bem na nossa vez | Mariana Brecht 

Foi acabar bem na nossa vez conta a história de dois jovens buscando seu lugar em um universo que parece encolher. Ao mesmo tempo, um romance de segunda chance e o retrato de um colapso que já bate à nossa porta, nos faz pensar não no fim do mundo, mas no mundo que ainda resta.

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Nas Beiras do Ribeira | SESC TV

Histórias, sonhos, modos de vida ancestrais e tradicionais, contados e cantados pelos povos que vivem às margens do Rio Ribeira. Projeto do Sesc Registro, com produção do Querô, o documentário retrata a exuberância das paisagens naturais e realça os fazeres e saberes da miscigenação desses filhos da terra e do rio. A diversidade em confluência, entremeada ao som das águas, que corre livre rumo ao mar, evidenciando as culturas distintas e, ao mesmo tempo, tão semelhantes em seus propósitos: o amor pelo Vale do Ribeira.

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