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Entidades científicas cobram governo por atraso em plano de transição energética

Carta da SBPC e ABC afirmam que prazo dado por Luiz Inácio Lula da Silva não foi cumprido e alerta para riscos climáticos e econômicos

Redação ((o))eco ·
17 de abril de 2026
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Entidades científicas brasileiras afirmam que o governo federal descumpriu o prazo para apresentar as diretrizes do plano de transição energética do país e cobram a entrega imediata do documento. Em carta enviada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a ministérios estratégicos, as organizações classificam a demora como incompatível com a urgência da crise climática.

O posicionamento é da Academia Brasileira de Ciências (ABC) e da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que representam a comunidade científica no país. Segundo as entidades, o prazo de 60 dias estabelecido em despacho presidencial publicado em dezembro de 2025 já foi ultrapassado sem que as diretrizes tenham sido divulgadas.

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Na carta, as organizações destacam que a construção do chamado “Mapa do Caminho” é um passo essencial para orientar a redução da dependência de combustíveis fósseis no Brasil. O documento deveria ser elaborado de forma conjunta pela Casa Civil, pelos ministérios da Fazenda, do Meio Ambiente e Mudança do Clima e de Minas e Energia.

As entidades afirmam que a urgência é “real e crescente”. Com base em evidências científicas, apontam que o planeta se aproxima do limite de 1,5°C de aquecimento global antes de 2030, com possibilidade de ultrapassar 2°C nas décadas seguintes, cenário associado a impactos severos.

No caso brasileiro, o documento menciona riscos como o colapso de ecossistemas, incluindo a Amazônia, além da redução da produtividade agrícola e do aumento na frequência de eventos extremos, como secas, enchentes e ondas de calor. Esses fatores, segundo a carta, já comprometem vidas, infraestrutura e a capacidade do Estado de planejar políticas públicas de longo prazo.

Outro ponto destacado pelas entidades é a dependência de combustíveis fósseis como vulnerabilidade econômica. A carta cita a instabilidade geopolítica em regiões produtoras de petróleo como fator de risco para preços, inflação e disponibilidade de insumos, com efeitos diretos sobre a economia brasileira.

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