Em meio ao avanço do garimpo ilegal, das invasões e de outras atividades criminosas em terras indígenas, o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) e o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) lançaram uma publicação com orientações para fortalecer a vigilância territorial conduzida por povos indígenas. O material, apresentado em Brasília, reúne experiências já adotadas em diferentes regiões do país e busca orientar políticas públicas de proteção territorial.
Intitulada Boas Práticas para o Fortalecimento da Vigilância Participativa Aplicada à Proteção Territorial Indígena no Brasil, a publicação defende a vigilância indígena como estratégia de enfrentamento a crimes ambientais e ao crime organizado que atua sobre recursos naturais em territórios tradicionais. O documento foi elaborado a partir de diálogos com organizações indígenas, entidades da sociedade civil e instituições públicas, e sistematiza desde modelos comunitários de monitoramento até estruturas mais formalizadas de resposta a ameaças.
Entre as práticas destacadas estão a combinação entre conhecimentos tradicionais, como a leitura de sinais da floresta e a identificação de movimentações incomuns no território e ferramentas tecnológicas, como drones, monitoramento remoto por satélite e aplicativos de coleta de dados. Segundo os organizadores, a integração entre saberes ancestrais e tecnologia amplia a capacidade de resposta diante de invasões, incêndios criminosos, desmatamento e mineração ilegal.
O lançamento ocorre em um cenário de pressão crescente sobre terras indígenas na Amazônia. Dados citados na publicação apontam que o garimpo ilegal deixou mais de 80 mil pontos de exploração na Amazônia brasileira entre 1985 e 2022, afetando diretamente mais de 241 mil hectares, inclusive dentro de terras indígenas. Para os organizadores, fortalecer sistemas próprios de vigilância é parte da resposta para conter a escalada da degradação ambiental e da violência nesses territórios.
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