Se os jornais de hoje acertaram a mão, Lula começou 2010 dando ampla, clara e inequívoca sinalização de que a legislação ambiental tem que ser atropelada em nome de interesses supostamente maiores. No caso, preparar o país para a Copa de 2014 e para a Olimpíada de 2016. Em mais um discurso no estilo patrola, o presidente afirmou ser necessário driblar a fiscalização ambiental, a Controladoria-Geral e o Tribunal de Contas da União para assegurar o término das bilionárias obras. A conclusão imediata é que Lula segue vendo excessos nos órgãos que controlam o governo, e que os empreendimentos devem ter algo de “anormal ou incomum”. Ou, ainda pior, projeta-se que estarão atolados no mar de corrupção tupiniquim, cujo nível costuma se elevar em anos eleitorais. Atitudes repetidas como essa mostram o atraso crônico das lideranças nacionais, sejam de esquerda ou direita, se elas ainda existem, quando o assunto é governar de forma moderna e de olho nas inadiáveis necessidades ambientais. Mas o Brasil segue assim, com as massas embaladas pelo pão e circo e afogando seu futuro no voto que garante cada mandato.
Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar
Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.
Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.
Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.
Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.
Leia também
Depois de 100 anos, ciência identifica nova espécie de felino na Bolívia
Animal batizado de “tilcayo” se assemelha a um gato-do-mato, mas prossegue rodeado de mistérios. É o primeiro felino descoberto desde o gato-do-pampa, em 1923 →
Quem faz a coexistência entre pessoas e fauna silvestre acontecer?
Por que precisamos reconhecer, formar e apoiar gestores e gestoras de coexistência e entender seu papel na conservação de espécies em conflito com moradores →
Ariranhas em risco: como conciliar conservação e turismo de observação?
O Pantanal se consolida como destino mundial de observação de fauna, mas o crescimento do turismo ainda ocorre sem diretrizes e políticas claras →

