Salada Verde

Fracking: pedido de vista interrompe julgamento no STJ sobre exploração de óleo e gás

Relator adia voto após ouvir manifestação dos colegas. Julgamento deverá definir quais regras deverão ser seguidas caso a atividade seja realizada no Brasil

Redação ((o))eco ·
10 de setembro de 2026
Salada Verde
Sua porção fresquinha de informações sobre o meio ambiente

A possibilidade de explorar petróleo e gás de xisto ou folhelho por meio do fraturamento hidráulico, conhecido como fracking, começou a ser analisada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). A técnica, que provoca fraturas nas rochas para liberar os combustíveis, é alvo de controvérsias por causa dos possíveis impactos ambientais. O julgamento pode definir quais regras deverão ser seguidas caso a atividade seja realizada no Brasil.

A discussão começou nesta quarta-feira (9), na 1ª Seção do STJ, e foi interrompida após o ministro Afrânio Vilela pedir mais tempo para analisar o caso. O ministro afirmou que já tinha preparado um voto de 113 páginas, mas decidiu revisar alguns pontos após as manifestações de outros ministros e as sustentações feitas durante a sessão. O julgamento deve ser retomado na próxima sessão.

Quer receber nossa newsletter?

Fique por dentro do que está acontecendo!



Quer receber nossa newsletter?

Fique por dentro do que está acontecendo!



Entre os principais pontos de divergência está a necessidade de realizar estudos ambientais antes de autorizar áreas para exploração. O Ministério Público Federal (MPF) defende que pesquisas e avaliações sobre os riscos do fracking sejam feitas previamente às licitações. Já a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) entende que esses estudos prévios não precisam ser uma exigência para licenciar a área.

O processo teve origem em uma licitação realizada pela ANP em 2013, que incluiu áreas com potencial para exploração de petróleo e gás não convencionais na Bacia do Paraná, região que abriga o Aquífero Guarani. A disputa chegou ao STJ depois que o MPF questionou uma decisão que permitiu a licitação sem estudos prévios sobre os riscos ambientais. O caso pode estabelecer parâmetros para o uso do fracking no país, uma técnica que, segundo o próprio relator, combina um grande potencial econômico com riscos socioambientais considerados elevados.

Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar

Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.

Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.

Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.

Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.

Leia também

Análises
5 de abril de 2024

Fracking no Brasil: Uma política de riscos inaceitáveis

Estudos nos Estados Unidos e Argentina, onde o fracking é comercialmente explorado, detalham os danos ambientais, sociais e produtivos causados

Notícias
5 de dezembro de 2024

Ambientalistas criticam importação de gás natural argentino extraído por fracking

ONG encaminha ao ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, ofício assinado por mais de 100 ambientalistas alertando para impactos ambientais e a indígenas na Argentina

Análises
15 de dezembro de 2022

Último leilão de petróleo e gás sob Bolsonaro é um convite a imaginar um país com mais energias renováveis

Enquanto a ANP aprofunda a crise climática, comunidades tradicionais e povos indígenas apresentam ao governo de transição propostas viáveis para acelerar a transição energética justa no Brasil

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.