Nesta quarta-feira (7), o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima reconheceu o Mosaico da Serra dos Pireneus. O arranjo tem um caráter de ineditismo, já que trata-se do primeiro mosaico de áreas protegidas reconhecido pelo governo federal que é formado, exclusivamente, por Reservas Particulares do Patrimônio Natural, as RPPNs. O desenho de governança integrada em torno da Serra dos Pireneus, em Goiás, totaliza 20 reservas – criadas, geridas e mantidas por proprietários particulares que voluntariamente decidiram transformar suas terras em unidades de conservação.
As vinte RPPNs estão concentradas no município de Pirenópolis e juntas protegem cerca de 200 hectares de Cerrado na região da Serra dos Pireneus.
A Portaria nº 1.784/2026, que oficializa o mosaico, instituiu também seu Conselho Consultivo, responsável por garantir a gestão integrada das áreas protegidas privadas. O conselho será formado por representantes dos governos federal e municipal, de universidades e instituições de ensino, por organizações da sociedade civil com atuação no território, além de cada um dos gestores das RPPNs que integram o Mosaico. E a presidência caberá sempre a um destes gestores.
A instância poderá propor planos, programas, projetos e ações a órgãos públicos, entidades não governamentais e empresas privadas, “com o objetivo de garantir os atributos ambientais, culturais e paisagísticos e a proteção dos recursos naturais do Mosaico da Serra dos Pireneus, visando ao desenvolvimento sustentável da região”, define a Portaria.
O conselho também poderá se manifestar sobre obras ou atividades de potencial impacto social e ambiental que afetem a área do mosaico.
O projeto de investir em reservas particulares na Serra dos Pireneus para construção de um mosaico partiu do Instituto Cerrados em parceria com a Associação do Córrego Barriguda e Cabeceira do Rio das Almas, financiado pela Nature and Culture International.

Vale mencionar que, ainda que este seja o primeiro mosaico de RPPNs reconhecido pelo governo federal, há pelo menos outras duas iniciativas semelhantes – e anteriores – que reuniram reservas particulares sob denominação de “mosaico”. O Mosaico de RPPNs da Bacia do Rio Niquim, em Alagoas, e o Mosaico RPPNs da Bocaina, no estado de São Paulo. Nenhuma das duas, porém, foi reconhecida em ato pelo Ministério do Meio Ambiente, condição que pressupõe a oficialização do arranjo, conforme regulamentação do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC).
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