A Amazônia registrou 693 mil hectares de desmatamento em 2025, o menor valor da série histórica, segundo dados da Coleção 11 do MapBiomas, que reúne mapas anuais de cobertura e uso da terra entre 1985 e 2025. Desse total, 639 mil hectares (92%) correspondiam à vegetação primária e 54 mil hectares à vegetação secundária. Apesar da redução, a pressão sobre a floresta continua associada à expansão da agropecuária e da infraestrutura viária.
O levantamento mostra que, nos últimos 41 anos, a Amazônia perdeu 54,7 milhões de hectares de vegetação nativa, enquanto a área destinada à agropecuária cresceu 440%. A pastagem foi o principal vetor de desmatamento identificado: em média, 77% das áreas desmatadas tiveram essa atividade como primeira ocupação registrada. Ao final de 2025, 37,7 milhões de hectares haviam se consolidado como pastagens.
A expansão agropecuária também se concentra no entorno das estradas e das áreas protegidas. Desde 1985, a atividade cresceu 561% nas proximidades de territórios protegidos e ocupa 31% dessa faixa. Nas áreas localizadas a até cinco quilômetros das estradas, a agropecuária corresponde a 40,2% do território, o equivalente a 63 milhões de hectares. A vegetação nativa representa 56,7% dessa faixa, proporção que sobe para 69,3% quando considerado um raio de 20 quilômetros das vias.
“A expansão das estradas não representa apenas a abertura de novos caminhos de circulação. Ela também amplia o acesso a áreas antes mais isoladas e pode facilitar a chegada de diferentes atividades e formas de ocupação do território. O avanço da infraestrutura, especialmente quando acompanhado pela abertura de ramais e acessos secundários, requer atenção a curto e a longo prazo, pois pode conectar fronteiras de desmatamento, exploração de madeira, ocupação irregular em extensas áreas de vegetação nativa e áreas protegidas”, explica Bruno Ferreira, pesquisador do MapBiomas.
Apesar de pressionadas, as áreas protegidas, que incluem Terras Indígenas, unidades de conservação e territórios quilombolas, mantêm 98% de sua cobertura composta por vegetação nativa. Nas Terras Indígenas, o percentual chega a 98,9%.
Expansão da fronteira agrícola impacta Amacro
A transformação da paisagem, no entanto, varia entre as regiões. Na área conhecida como Amacro, que abrange municípios do Amazonas, Acre e Rondônia, a vegetação nativa diminuiu cerca de 7 milhões de hectares desde 1985, uma redução de 16%. Desse total, 2,7 milhões de hectares foram perdidos entre 2015 e 2025. No mesmo período de 41 anos, a área de pastagem na região aumentou cerca de 15 vezes.
Além da agropecuária, a mineração ampliou sua presença no bioma. A atividade passou de 32 mil hectares em 1985 para 440 mil hectares em 2025, quase 14 vezes a área inicial. Quase metade da área acumulada de mineração (47%) foi aberta nos últimos dez anos.
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