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Desmatamento aumenta, governo diz que 46% é apenas degradação

Governo argumenta que aumento do desmatamento não considera que quase metade do que ocorreu foi degradação da floresta e não desmate total.

Daniele Bragança ·
28 de março de 2013 · 13 anos atrás
Volney Zanardi Junior, presidente do Ibama, apresenta a avaliação dos Alertas do Deter em coletiva de imprensa realizada nesta quinta. Foto: Valter Campanato/ABr
Volney Zanardi Junior, presidente do Ibama, apresenta a avaliação dos Alertas do Deter em coletiva de imprensa realizada nesta quinta. Foto: Valter Campanato/ABr

Após segurar por 4 meses a publicação dos dados mensais do desmatamento na Amazônia, o governo convocou a imprensa para anunciar os números do Sistema de Detecção de Desmatamentos em Tempo Real, o DETER,  referentes aos meses de novembro, dezembro, janeiro e fevereiro. Havia duas notícias a dar: apresentar os números desses 4 meses e dizer que aquele desmatamento não era todo corte raso (desmate total), pois quase metade seria degradação. A outra novidade foi a apresentação dos números pelo presidente do Ibama, Volney Zanardi Junior, em coletiva de imprensa na sede do Instituto. Desde que Carlos Minc foi ministro, essa prerrogativa era do ministro do Meio Ambiente, que agora só divulgará o número total do ano.

Como pode ser observado no gráfico, houve aumento no desmatamento em novembro e dezembro e diminuição em janeiro e fevereiro, sempre em comparação com o mesmo mês do ano anterior. No acumulado do ano-calendário do desmatamento (que começa em agosto), os números revelam um aumento de 27% entre agosto de 2012 e fevereiro de 2013, em relação ao intervalo entre agosto de 2011 e fevereiro de 2012.

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Apesar do crescimento, o governo argumenta que quase metade do desmatamento do período, 46%, foi degradação (estágio anterior ao desmatamento) e não corte raso (supressão total da floresta). Em geral, os dados do DETER não fazem essa distinção. 

O Deter consegue varrer toda a região da Amazônia Legal em dois dias. Sua maior qualidade é a rapidez. Esse sistema tem duas funções principais: gerar dados diários para o Ibama, que orientam suas atividades de fiscalização, e indicar tendências nos números do desmatamento. Mais tarde, os números serão refinados pelo sistema Prodes, que usa imagens de alta resolução, e é usado para fornecer os dados anuais.

O número anual fechado do desmatamento, produzido pelo Prodes, só inclui corte raso.

Passe o mouse sobre os polígonos vermelhos para ver informações sobre áreas desmatadas ou degradadas entre novembro de 2012 a fevereiro de 2013. Mapa gerado pelo InfoAmazônia.

Entretanto, dessa vez o governo desmembrou os números do Deter. Segundo o presidente do Ibama, Volney Zanardi Junior, entre agosto de 2012 e fevereiro deste ano, de um total de 1.697,6 quilômetros quadrados desmatados, 54% (ou 916,7 quilômetros quadrados) foram corte raso, e o restante, 46% (ou 780,9 quilômetros quadrados) degradação.

George Porto, coordenador geral de monitoramento ambiental do Ibama, afirmou que “O governo está otimista que os números do PRODES se mantenham baixos e que tenhamos mais uma vez, diminuição do desmatamento anual”. Segundo ele explicou à reportagem de ((o))eco, no acumulado do ano (agosto de 2012 a fevereiro de 2003) houve diminuição de 14% do corte raso e o governo espera comprovar essa tendência quando saírem as análises baseadas nas imagens de alta resolução do Prodes.

Onda Verde e repressão

Desde fevereiro, o Ibama está realizando a Onda Verde, operação de repressão ao desmatamento na Amazônia. Por ser tão recente, Porto considera apressado atribuir a ela a queda do número de fevereiro “Nós adoraríamos poder falar que foi a Onda Verde, mas com tantas nuvens sobre a Amazônia nesta época de chuva, só as imagens de alta resolução do Prodes poderão dizer, mais à frente, se ela contribuiu para essa queda”.

*Matéria editada em 29/03 às 13h30

  • Daniele Bragança

    Repórter e editora do site ((o))eco, especializada na cobertura de legislação e política ambiental.

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