Análises

Mais perto do paraíso

Fizemos uma visita à Ecovila Piracanga, na Bahia, onde 20 nacionalidades se misturam e adotam energia renovável, hortas orgânicas e educação ambiental.

Renata Freitas ·
16 de junho de 2010 · 16 anos atrás
height=”500

Assim que começamos a colaborar com a construção da horta, fomos adicionados por Estevan, um venezuelano que viajava pelo Brasil com sua noiva, a argentina Catalina. Outro visitante também aparecia constantemente. Seu nome é Treck, um colorido papagaio, que voava diretamente sobre as nossas cabeças, ombros e chapéus sem pedir licença.

Estrutura terminada, chegara a hora de colocar os postes usados como suporte para o telhado. Feito com folhas de coqueiros, o próprio telhado também se transformaria em matéria orgânica depois de alguns meses – mas não antes de proteger as sementes e vegetais que transplantamos na nossa horta.

height=”500

Começamos por plantar variedades de alimentos pequenos como a mandioca, abacaxi e banana. Depois de algum tempo essas raízes e árvores frutíferas começarão a produzir sombra suficientes para serem plantadas árvores maiores que necessitam mais água e são menos resistentes ao sol.

Durante nossa convivência com a comunidade, nós percebemos que não são apenas as pequenas árvores que necessitam atenção especial. Piracanga está cheia de outros pequenos que recebem o respeito que merecem.

ABC Experimental

Ao entrar na escola comunitária, imediatamente notamos sobre as mesas alguns jogos sensoriais, blocos para construir e tintas para pintar. Até então, parecia tratar-se de uma escola convencional. Mas ao observar um pouco mais de perto, percebemos as diferenças. A distinção não estava nos objetos, mas na maneira de ensinar.

Passamos a tarde com Margarita, a professora equatoriana convidada por Piracanga a implementar um sistema de educação familiar em seu país: a escola livre experimental, baseada na Fundação Educacional Pestalozzi. O que parece ser algo inovador, na verdade começa a voltar as suas origens. O pedagogo suíço, Joham Heinrich Pestalozzi (1746-1827), costumava dizer que “o papel do educador é o de ensinar crianças, e não matérias”. Pestalozzi enfatizava que todo aspecto da vida da criança contribui para a formação da sua personalidade, carater e razão.

E é esse o propósito da Escola Livre . Segundo Margarita, o conceito da escola é baseado na decisão da criança. É ela quem decide o que quer aprender. Os professores são os facilitadores e estão a volta para preparar o ambiente de acordo com as necessidades da criança, respeitando a sua individualidade. “A melhor maneira de respeitar a criança é não direcioná-la. Ela decide o que fazer e nós encorajamos a sua decisão”, diz Margarita. E aconselha: “Nós, adultos, devemos mudar nossas maneiras a começar pelo respeito a criança. Dessa maneira, respeitaremos também a criança que existe dentro de nós”.

Nós seguimos o conselho de Margarita a risca, e pelo resto do nosso tempo em Piracanga libertamos a criança que existe dentro de nós.

Leia também

Notícias
29 de janeiro de 2026

Brasil possui 67 milhões de hectares sem informação de titularidade

Área é maior do que a França. Termômetro do Código Florestal mostra que apenas 10% dos cadastros ambientais rurais já foram analisados pelo poder público

Salada Verde
29 de janeiro de 2026

ANP agenda auditorias em sonda da Petrobras após vazamento na Foz do Amazonas

Marcado para fevereiro, as inspeções ocorrem após a suspensão da perfuração por vazamento de fluido e devem definir se o poço na margem equatorial poderá retomar as operações

Reportagens
29 de janeiro de 2026

Licenciamento ignorou reserva ambiental situada a 1,2 km do Aeródromo do Açu

Inea emitiu licença de operação sem cobrar da Aeropart estudo sobre impactos dos voos no Refúgio de Vida Silvestre da Lagoa do Taí

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.