Há várias semanas a duplicação da marginal Tietê, na capital paulista, tem tomado os noticiários. Além do trânsito lento devido à interdição de trechos da rodovia, está na boca do povo o fato de que a obra, ao custo de mais de 1 bilhão de reais, servirá para desafogar o trânsito por apenas 10 anos. Depois, com o aumento da frota, tudo volta a ficar congestionado.
O engenheiro civil Creso de Franco Peixoto, mestre em Transportes, é um dos pesquisadores que, nas últimas semanas, vêm alertando governos estadual e municipal para a ineficácia da medida. Em artigo divulgado hoje (28), Peixoto defende que a solução não está sobre as vias urbanas, mas abaixo delas. “Não adianta apenas incorporar novas vias urbanas. Exauriu o rodoviarismo nas metrópoles. Às novas vias expressas bastam poucos dias para que não mais mereçam este nome, a demanda reprimida funciona como metástase urbana”, diz.
Para Peixoto, a solução são mesmo os trens urbanos e metrôs. Ônibus, automóveis ou quaisquer outros veículos, diz, devem ser usados apenas para alimentar os carros sobre trilhos da metrópole. Bicicletas e caminhadas seriam a solução para viagens curtas. “O transporte metropolitano deve ser estudado de forma orgânica, onde se atribui conceito de órgão vital a alguns elementos e terapias adequadas para seus problemas.” O metrô é caro, mas sua capacidade atravessa décadas. Se a Cidade do México conseguiu construir 200 quilômetros de metro , por que o Brasil não conseguiria, pergunta-se.
Atalho:
Leia também
Perigos explícitos e dissimulados da má política ambiental do Brasil
pressões corporativas frequentemente distorcem processos democráticos, transformando interesses privados em decisões públicas formalmente legitimadas →
Transparência falha: 40% dos dados ambientais não estavam acessíveis em 2025
Das informações ambientais disponibilizadas, 38% estavam em formato inadequado e 62% desatualizadas, mostra estudo do Observatório do Código Florestal e ICV →
O Carnaval é termômetro para medir nossos avanços no enfrentamento da crise climática
Os impactos da crise climática já são um problema do presente. Medidas políticas eficazes de prevenção aos eventos climáticos extremos não podem ser improvisadas às vésperas das festividades →




